Queda nas vendas de elétricos: logística comprometida afeta entrega de modelos
A venda de carros elétricos no Brasil registrou uma queda de 18,1% em setembro, passando de 27.166 emplacamentos em agosto para 22.246 no mês seguinte. Essa é a primeira diminuição após sete meses consecutivos de alta e não se deve à falta de demanda, mas sim a problemas logísticos que dificultam a importação de alguns modelos.
Falta de navios compromete importações
Dois modelos importados, o Geely EX2 e o BYD Dolphin, foram responsáveis pela maior parte dessa queda. O EX2, por exemplo, viu suas vendas despencarem 53,1%, com apenas 2.724 unidades emplacadas, enquanto o BYD Dolphin recuou 38,7%, totalizando 4.132 unidades. A soma de 5.688 emplacamentos a menos destes dois modelos explica quase toda a queda verificada no segmento de elétricos, que, sem eles, teria apresentado crescimento em setembro.
Reservas e prazos de entrega
A Geely revelou que, devido à alta demanda pelo EX2, as reservas para algumas cores e versões estão sendo atendidas em uma lista de espera, com entregas previstas para começar a partir de dezembro. Isso significa que muitos consumidores que fecharam negócio em outubro terão que aguardar até o fim do ano para receber o veículo.
O problema não é novo; concessionárias já reportavam esperas de até 90 dias pelo modelo em maio. A produção do EX2 está prevista para ocorrer em São José dos Pinhais (PR), em parceria com a Renault, o que pode aliviar a demanda por importação após o início da fabricação local.
Movimentações do BYD Dolphin
O BYD Dolphin também sofre com um prazo de entrega estimado em cerca de 30 dias nas concessionárias. A montadora atribui essa demora à alta demanda, mas acredita que a situação se normalizará com a chegada de novos lotes de veículos previstos para outubro.
Contrapõe-se a isso a boa performance do Dolphin Mini, que, produzido em Camaçari (BA), alcançou um recorde de 9.385 unidades em setembro, não enfrentando as mesmas dificuldades logísticas dos modelos importados.
Produção nacional avança em meio a queda das importações
Em setembro, os veículos importados pelas associadas à Abeifa caíram 28,2%, enquanto a produção nacional cresceu 15,4%. Isso demonstra como a produção local está conseguindo atender à demanda no mercado, ao mesmo tempo em que os importados enfrentam atrasos devido à logística.
As montadoras, como a BYD, estão cientes das dificuldades e já procuraram aumentar a frota de navios para melhorar suas operações. Atualmente, o aluguel de um cargueiro dedicado ao transporte de veículos dobrou, passando de US$ 50 mil para US$ 95 mil por dia, o que reforça os desafios que o setor enfrenta.
Alternativas emergentes e o futuro do mercado elétrico
Alternativas estão começando a surgir, como o uso de plataformas de contêiner pela Leapmotor, que trouxe 700 carros utilizando um método que contorna a fila dos navios ro-ro. Contudo, essa solução ainda é insuficiente diante do volume de veículos que o mercado demanda.
O cenário atual sinaliza que, enquanto a produção nacional continua a prosperar, a dependência das importações pode atrasar a entrega de veículos elétricos para os consumidores. Assim, fica a questão: vale a pena esperar meses por um modelo importado ou optar por um veículo produzido localmente que pode ser entregue com mais agilidade?

