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Paris expande uso da água do Sena para resfriamento sustentável de edifícios

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Paris expande uso da água do Sena para resfriamento sustentável de edifícios

O resfriamento urbano se configura como uma solução inovadora e necessária para enfrentar as altas temperaturas nas cidades, especialmente em um cenário de aquecimento global. Em Paris, a estratégia revolucionária de utilizar a água do rio Sena para climatizar edifícios demonstra como a tecnologia pode ser aliada na busca por um ambiente urbano mais sustentável e menos dependente de aparelhos de ar-condicionado.

O sistema de resfriamento conhecido como Fraîcheur opera por meio de 120 quilômetros de tubulações subterrâneas que transportam água fria do Sena. Este líquido percorre um cano paralelo a outro que devolve água quente dos prédios conectados. Um trocador de calor efetua a transferência de temperatura entre os tubos, sem misturar os fluídos, permitindo que a água resfriada seja direcionada de volta aos edifícios enquanto a água do Sena retorna ao rio ligeiramente aquecida. Essa abordagem não só ajuda a manter a temperatura dos prédios sob controle, como também evita o acúmulo de calor nas ruas.

Segundo monitoramento realizado, essa prática mantém o aumento de temperatura dentro dos limites aceitáveis, sem causar danos mensuráveis à ecologia do rio. Atualmente, um número significativo de instituições, incluindo o Louvre e hospitais, já se beneficia desse sistema, que visa oferecer resfriamento de maneira centralizada e eficiente, semelhante ao fornecimento de água e energia elétrica.

A ambição de Paris é triplicar a rede até 2042, conectando mais de 3.000 edifícios em toda a cidade, priorizando instituições de saúde e educação. Tim Guigon, porta-voz da Fraîcheur de Paris, destaca que a transformação do sistema busca abranger não apenas grandes edifícios, mas toda a infraestrutura urbana.

O investimento nesta rede é substancial, com um contrato de 20 anos, renovado em 2022, estimado em € 2,4 bilhões, gerido conjuntamente pela RATP e pela Engie. O uso de aparelhos de ar-condicionado convencionais contribui para um aumento do consumo energético e do calor nas áreas urbanas, criando um ciclo indesejado. Por outro lado, o resfriamento urbano proposto pode resultar em um consumo energético muito menor do que o requerido por sistemas tradicionais.

Pauline Lavaud, diretora de transição climática da cidade, enfatiza que essa rede proporciona um desempenho energético e ambiental superior. A diminuição no uso de ar-condicionados individuais entre os moradores será um dos indicadores de sucesso dessa iniciativa, já que cada unidade não instalada alivia a pressão sobre a rede elétrica e reduz o calor nas ruas. Embora todos os 2,1 milhões de habitantes de Paris não possam ser conectados ao sistema, os benefícios para a cidade como um todo são significativos.

Outras metrópoles também estão adotando práticas de resfriamento urbano, como Estocolmo e Toronto, que utilizam água dos seus respectivos corpos d’água. Apesar de não replicarem exatamente o modelo parisiense, essas cidades demonstram a viabilidade e a necessidade de adaptar soluções às condições locais disponíveis.

A proposta de Paris não só evidencia os esforços em inovação e sustentabilidade, mas também pode servir como um modelo para outras cidades ao redor do mundo, ressaltando a importância da adaptabilidade e do uso inteligente dos recursos naturais no desenvolvimento urbano. Com a execução desse planejamento, a capital francesa se posiciona na vanguarda de uma nova era de resfriamento sustentável, com potencial para influenciar políticas globais em resposta às mudanças climáticas.

Crédito da imagem: divulgação/reprodução

Bruno Tavares

Fundador da Pixel Project

Sou fundador da Pixel Project e atuo há mais de 15 anos com desenvolvimento web, WordPress, SEO e projetos digitais. No Mercado ETC, acompanho temas ligados a tecnologia, negócios, marketing, autos e tendências do mercado.

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