A reutilização de materiais em projetos urbanos tem mostrado seu valor na promoção de ambientes mais sustentáveis e funcionais. Recentemente, um novo bloco sanitário em North Paddington, Londres, se destaca por seu atual design, que faz uso de pedras recuperadas de um edifício demolido. Este empreendimento foi encomendado pelo Conselho Municipal de Westminster como parte de uma iniciativa para substituir um antigo banheiro subterrâneo que era de difícil acesso e se tornou um espaço associado à violência.
A proposta do Studio Weave visava não apenas melhorar a acessibilidade, mas também criar um espaço seguro e acolhedor para os usuários da praça. Com isso, busca-se reforçar a importância de investir em infraestrutura pública em meio à crescente eliminação de banheiros nas cidades. Segundo Eddie Blake, diretor do estúdio, o objetivo era desenvolver um local que proporcionasse mais orgulho aos moradores locais.
Um banheiro público pode ser visto como um símbolo de democracia, refletindo que uma cidade ainda valoriza suas necessidades mais essenciais. Nesse contexto, o Studio Weave também desenvolveu o pavilhão do Woolwich Market, que abrange banheiros públicos, mostrando que esses espaços podem ser ao mesmo tempo funcionais e dignos.
A nova estrutura foi cuidadosamente projetada para se integrar à infraestrutura existente da praça. O interior conta com três sanitários, incluindo um que é acessível para cadeirantes, todos destinados a transmitir uma sensação de “dignidade e senso cívico”. A escolha por um projeto com baixa emissão de carbono foi fundamental, utilizando principalmente pedras reaproveitadas. Utilizar placas de granito rosa da Finlândia e larvikita da Noruega, que foram retiradas de um edifício em Broadgate, não apenas reduz o impacto ambiental, mas também confere uma estética rústica e única ao local.
Com a colaboração da empresa londrina Webb Yates e a empreiteira Stone Masonry Company, essa recuperação de materiais resultou em uma estrutura robusta, que mantém superfícies variadas, de rachadas a polidas. O design se adaptou às dimensões dos painéis, minimizando o processamento necessário para a reutilização da pedra, o que também contribuiu significativamente para manter os custos para o público baixos.
Outro diferencial do projeto é a consideração para futuras desmontagens e reaproveitamentos. As paredes de pedra são independentes das unidades internas, permitindo atualizações e reutilizações de forma mais prática. Essa abordagem destaca a ideia de uma “pedreira urbana”, que aponta para as vastas reservas de materiais de qualidade disponíveis nas cidades, aguardando uma nova utilização.
Essas iniciativas se tornam ainda mais relevantes diante da queda de banheiros públicos no Reino Unido, cuja presença reduziu em 14% na última década, segundo a Royal Society for Public Health. Este cenário não só afeta o bem-estar da população, mas também a vitalidade das áreas comerciais. Em contraste com essa tendência, projetos semelhantes têm sido implementados em outros países. Um exemplo notável é o Tokyo Toilet, que inaugurou 17 novos banheiros públicos em Shibuya, Tóquio, projetados por renomados arquitetos como Shigeru Ban e Tadao Ando.
A criação do novo bloco sanitário em Londres é uma ótima referência para debater a importância de banheiros públicos em espaços urbanos, buscando promover não apenas a funcionalidade, mas também a reflexão sobre infraestrutura, sustentabilidade e a dignidade em ambientes públicos.
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