O setor de tecnologia no Brasil enfrenta um paradoxo crítico: a demanda por especialistas cresce consideravelmente, enquanto a formação de novos profissionais não acompanha esse ritmo. Atualmente, apenas 53 mil novos graduados em Tecnologia da Informação surgem anualmente, em contraste com a necessidade de cerca de 159 mil especialistas por ano, segundo a Brasscom. A defasagem acumulada pode chegar a mais de 530 mil vagas não preenchidas entre 2021 e 2025, o que agrava a situação do mercado.
Essa escassez de talentos não é apenas um problema operacional para os RHs; agora se tornou parte das estratégias de negócios das empresas. Para mitigar essa dificuldade, muitas organizações estão adotando o outsourcing de TI. Essa abordagem permite acesso mais rápido a competências críticas, como inteligência artificial, cibersegurança e computação em nuvem, além de facilitar contratações mais ágeis e eficientes.
Paralelamente, iniciativas para aumentar a formação de novos profissionais estão em andamento. A Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) participa do Plano Brasil Digital 2030+, que visa acelerar a transformação digital do país. Dentro deste programa, a meta do Pilar 4 é ampliar significativamente a capacitação profissional para atender às crescentes necessidades do mercado.
A Plataforma RH Tech surge como uma das principais iniciativas nesse contexto. Esse ecossistema digital gratuito conecta empresas, instituições de ensino, organizações da sociedade civil e profissionais de tecnologia. Com um Hub de Educação Tecnológica que oferece 90 cursos gratuitos em parceria com 31 instituições e um Hub de Vagas que aproxima talentos das empresas do setor, a plataforma já contabiliza mais de 40 mil acessos e prêmios de reconhecimentos como o Prêmio Empregabilidade Jovem.
O estudo “Mercado Brasileiro de Software 2026”, elaborado pela ABES em parceria com a IDC, revela que o mercado de tecnologia no Brasil movimentou US$ 67,8 bilhões em 2025, apresentando um crescimento de 18,5% em relação ao ano anterior. O Brasil se mantém como o 10º maior mercado de TI do mundo, capaz de representar cerca de 35% do mercado latino-americano. Com isso, a importância do setor para a economia é inegável.
O estudo também destaca a mudança nas prioridades das lideranças de tecnologia, que agora concentram investimentos em serviços gerenciados e soluções em nuvem. Nesse contexto, o outsourcing continua a crescer, com empresas buscando especialistas para projetos complexos e críticos, afastando-se da terceirização de tarefas simples. A abordagem não é apenas uma maneira de preencher lacunas rapidamente, mas uma estratégia essencial para a inovação nos negócios.
Fernanda Brunorio, da Globalsys, aponta que a contratação de especialistas através do outsourcing dá acesso a competências técnicas que muitas vezes são impossíveis de serem encontradas no mercado atual. Essa solução é vista como um alívio, embora a diretora da ABES, Jamile Sabatini-Marques, alerta que a terceirização deve ser considerada uma resposta temporária e não uma solução para o déficit estrutural de formação.
Com dados do Gartner indicando que o mercado global de outsourcing de TI cresce cerca de 6,7% ao ano, e que mais de 90% das empresas no ranking Forbes Global 2000 já adotam esse modelo, o panorama é claro: as organizações precisam se adaptar rapidamente. A Globalsys foca na identificação de especialistas com experiência em áreas específicas, garantindo que os profissionais se integrem à operação dos clientes com a mesma qualidade exigida em projetos internos.
Sendo assim, o desafio da formação de talentos seguirá como um entrave para a transformação digital do Brasil nos próximos anos. Entre 2019 e 2024, o setor demandou cerca de 665 mil profissionais, enquanto a formação alcançou apenas 465 mil. Sem investimentos em políticas públicas e requalificação, o descompasso tende a se agravar, podendo resultar em um milhão de vagas abertas até o final da década.
As empresas devem continuar inovando e utilizando o outsourcing não apenas como uma solução imediata, mas como um instrumento estratégico vital para garantir competitividade e acelerar transformação em meio à escassez de talentos disponíveis. O equilíbrio entre contornar a falta de profissionais e investir na formação de novos talentos é essencial para superar essa fase desafiadora no setor de tecnologia.
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Atualização
O Brasil enfrenta uma grave escassez de profissionais de tecnologia, um desafio que está se tornando um ponto crítico na transformação digital das empresas. Com uma demanda anual estimada em cerca de 159 mil especialistas em Tecnologia da Informação, o país forma apenas 53 mil novos profissionais por ano, resultando em um déficit acumulado de mais de 530 mil vagas até 2025. A situação se agrava à medida que as empresas buscam inovações e se adaptam às novas demandas do mercado.
Esse cenário não é mais um problema exclusivo do setor de Recursos Humanos. Estratégias de outsourcing estão sendo cada vez mais adotadas por organizações de diferentes setores para conseguir acesso a talentos altamente qualificados sem o longo e complexo processo de contratação. Isso permite que as empresas consigam habilitar suas operações com profissionais que possuem competência técnica que, muitas vezes, são escassos no mercado.
A Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) está ativamente envolvida em uma iniciativa chamada Plano Brasil Digital 2030+, que visa unir forças entre governo, academia, empresas e sociedade civil para promover uma educação mais robusta e alinhada com as necessidades do mercado. Dentro dessa estratégia, destaca-se a Plataforma RH Tech, um ecossistema digital que oferece uma série de recursos, como um Hub de Educação Tecnológica com 90 cursos gratuitos e um Hub de Vagas que conecta talentos a oportunidades no setor.
Desde seu lançamento, a plataforma já teve mais de 40 mil acessos e conquistou prêmios de destaque na área de empregabilidade, refletindo a sua importância na formação de novos talentos. De acordo com Jamile Sabatini-Marques, diretora de Inovação e Fomento da ABES, a formação de profissionais qualificados vai além do campo da tecnologia; praticamente toda a economia e o governo dependem de experts em TI.
Em paralelo, um estudo da ABES revela que o mercado brasileiro de TI movimentou US$ 67,8 bilhões em 2025, com um crescimento de 18,5% em comparação ao ano anterior. O Brasil se mantém como o 10º maior mercado de TI do mundo e responde por 35% do total da América Latina.

