A rápida incorporação de ferramentas de inteligência artificial (IA) no marketing e na comunicação está redesenhando as operações das empresas brasileiras. Um estudo da Lamarca Brasil aponta que essa mudança não apenas impulsiona a eficiência, mas também modifica o foco de competitividade, deslocando-o para a analítica e o planejamento estratégico.
As antigas responsabilidades de criação de conteúdo e design visual agora são em grande parte automatizadas, permitindo que os profissionais se concentrem em funções que exigem maior complexidade, como a validação de dados e a análise de desempenho. Conforme Danilo Cazelato, fundados da agência, essa evolução exige uma nova formação dos profissionais da área, que agora devem dominar as ferramentas digitais e ser capazes de integrar dados em estratégias comerciais.
Aumento da produtividade e desafios financeiros
De acordo com um levantamento da consultoria McKinsey, oito em cada dez profissionais relatam um aumento na produtividade após a adoção da IA. Entretanto, apenas 37% das empresas que implementaram essa tecnologia observaram melhorias diretas em seus resultados financeiros. Para atingir o sucesso, é fundamental não apenas adotar novas ferramentas, mas transformar processos internos, conforme demonstram os dados: 75% das empresas de alta performance já reformularam seus fluxos de trabalho.
Um dos principais fatores que contribuem para o sucesso está na capacidade de reestruturar operações de maneira coesa, superando a fragmentação de dados que ainda afeta muitas organizações. As empresas precisam não só adotar tecnologias, mas também integrá-las de forma eficaz aos seus modelos de negócios.
Integração entre tecnologias e operações comerciais
A combinação da IA com softwares de gestão de relacionamento, como RD Station e HubSpot, é essencial para maximizar os resultados. Essas plataformas já operam com algoritmos que ajudam a identificar padrões de consumo e a personalizar comunicações em larga escala, o que potencializa a eficácia das estratégias comerciais.
Cazelato enfatiza que o sucesso depende de um fluxo contínuo de feedback entre as equipes de marketing e vendas, garantindo que as informações obtidas em negociações alimentem continuamente as estratégias de segmentação e personalização.
Desafios da presença digital
No Brasil, a presença digital das empresas também é motivo de preocupação. Dados da pesquisa TIC Empresas revelam que 89% das empresas têm perfis em redes sociais, enquanto apenas 53% possuem sites estruturados. Essa discrepância indica uma forte dependência de plataformas externas para prospecção e relacionamento.
Com a automação simplificando a produção de conteúdo, há um risco de padronização excessiva, o que pode saturar o mercado sem levar a resultados efetivos. As organizações precisam usar a tecnologia não apenas para aumentar sua produção, mas para refinar sua estratégia e manter uma identidade única e atraente para o público.
Transformando dados em valor econômico
Por fim, é imperativo que as empresas mensurem melhor seus resultados financeiros em relação às suas iniciativas digitais. A implementação de métricas relacionadas ao custo de aquisição de clientes e ao valor do tempo de vida do cliente (LTV) é essencial para entender o retorno sobre investimento (ROI) e ajustar as estratégias conforme necessário.
Esse panorama revela que as companhias que serão bem-sucedidas na era da IA não serão apenas aquelas que adotam novas tecnologias, mas sim aquelas que integram essas soluções em um sistema coerente e orientado por dados, utilizando a inteligência artificial como motor de inovação e crescimento estratégico.

