O avanço da inteligência artificial (IA) está transformando a maneira como consumidores interagem com o comércio eletrônico, tornando a adoção de dados estruturados e avaliações verificadas essenciais para o sucesso no varejo digital. Segundo a consultoria 87Labs, a expectativa é que agentes de IA possam intermediar entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões em transações até 2030, moldando o que pode ser uma nova era para as compras online. Com isso, a visibilidade das lojas se torna cada vez mais dependente da capacidade de serem reconhecidas e interpretadas por esses sistemas automatizados.
Um estudo realizado pela IBM em parceria com a National Retail Federation revela que 45% dos consumidores já incorporam a inteligência artificial em suas jornadas de compra. A pesquisa, que ouviu mais de 18 mil consumidores em 23 países, destaca como essa tecnologia está se integrando às decisões de compra em um contexto global. Nos Estados Unidos, um levantamento da Gartner aponta que 31% dos consumidores aceitam que a IA reduza suas opções em categorias como itens domésticos, refletindo uma tendência crescente de confiança nessas ferramentas.
No Brasil, o interesse pelo comércio eletrônico é evidente: a previsão é que o faturamento do setor alcance R$ 259,08 bilhões em 2026 e R$ 344,83 bilhões em 2029, segundo a ABComm. Essa evolução exige uma revisão das operações digitais, como observa Daniel Pisano, da 87Labs. Ele destaca que o varejo digital deve se tornar compreensível não apenas para os clientes, mas também para a IA, implicando em mudanças significativas na maneira como as informações de produtos, avaliações e catálogos são organizados e apresentados.
Um exemplo dessa adaptação são as recentes atualizações da Shopify, que entre abril e maio de 2026 focaram na estruturação dos recursos para facilitar a leitura das lojas por agentes de IA. Essas mudanças não envolvem a criação de novas funcionalidades visuais, mas sim melhorias na infraestrutura, impactando como os sistemas automatizados acessam e avaliam informações dos produtos.
A ascensão da IA no comércio eletrônico também traz uma nova lógica de otimização. Historicamente, as estratégias eram centradas no SEO (Search Engine Optimization), buscando melhorar a visibilidade nos mecanismos de busca. Agora, com o AEO (Agent Experience Optimization), o foco se volta para como as lojas podem ser apresentadas e escolhidas por agentes automáticos, que podem realizar comparações e avaliações antes mesmo de repassarem opções aos consumidores.
Para se preparar para essa transição para o comércio agêntico, a 87Labs sugere que os varejistas realizem uma auditoria em suas infraestruturas existentes. Entre as medidas recomendadas estão a revisão da consistência das informações de catálogo, a integração de avaliações e notas aos produtos, e a otimização de metadados.
Além disso, a empresa reforça a importância de acompanhar a evolução de protocolos que possibilitem a comunicação entre lojas, plataformas e agentes de IA. Com a infraestrutura já começando a ser implementada, os varejistas que se anteciparem terão uma vantagem competitiva crucial. A mudança já está em curso e as empresas de e-commerce precisam se preparar para um futuro em que tanto consumidores humanos quanto sistemas automatizados demandarão operações eficientes e bem estruturadas.
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