Pesquisadoras desenvolvem geis a partir do bagaço de cana-de-açúcar para conservação de obras de arte
Um novo método de conservação de obras de arte foi desenvolvido por um grupo de pesquisadoras da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A inovação consiste em geis feitos com nanocelulose e outros biopolímeros que permitem uma limpeza mais eficaz e segura de superfícies delicadas, como pinturas e documentos antigos. Esses geis ajudam a controlar a umidade e reduzem a possibilidade de danos durante o processo de restauração.
O que são os geis e como funcionam?
Os geis elaborados por essas pesquisadoras têm a função de transportar líquidos de limpeza de forma controlada, minimizando a evaporação e a penetração excessiva em camadas sensíveis das obras de arte. Em vez de aplicar solventes diretamente, a limpeza é realizada através da aplicação do gel, que retém o líquido e o libera lentamente. Isso evita que o solvente atinja camadas que devem ser preservadas e aumenta o tempo de contato eficiente do produto com a superfície a ser limpa.
Uma solução a partir da natureza
A formulação dos geis utiliza nanocelulose extraída do bagaço de cana-de-açúcar, combinada com gelatina e alginato, um polissacarídeo derivado de algas. Essa combinação foi criada para garantir uma estrutura que não apenas retém umidade, mas também resiste ao manuseio, permitindo sua aplicação em diversas superfícies artísticas. Os testes realizados buscaram ajustar as propriedades do gel para que ele fosse flexível e suficientemente robusto para atender às exigências dos conservadores-restauradores.
Vantagens em relação aos métodos tradicionais
Tradicionalmente, técnicas simples como a aplicação de um cotonete mergulhado em solvente limitam o controle da quantidade de líquido usado, aumentando o risco de danificar as obras. A nova metodologia propõe uma abordagem mais eficaz, onde o gel não apenas restringe a quantidade de líquido que penetra nas camadas da obra, mas também evita a rápida evaporação dos solventes, o que pode comprometer o processo de limpeza e a saúde dos profissionais envolvidos.
Pesquisadoras afirmam que, apesar de o foco estar na conservação de obras de arte, as aplicações dos hidrogéis podem se estender a outras superfícies delicadas, adaptando a formulação de acordo com as características específicas de cada material a ser tratado.

