A importância da fotografia científica não se limita apenas à estética; ela desempenha um papel crucial na comunicação entre ciência e sociedade. Recentemente, uma imagem do pesquisador e diretor do Laboratório de Biologia Estrutural do Instituto Butantan, Carlos Jared, foi reconhecida entre as melhores imagens científicas da última década pela Royal Society. Essa fotografia, que inicialmente recebeu menção honrosa em 2017, será apresentada na Summer Science Exhibition 2026, em Londres, destacando-se entre registros que traduzem descobertas científicas em narrativas visuais.
Intitulada “The rainy season, the green tree frog and the maintenance of life”, a imagem captura o acasalamento das pererecas-verdes, especificamente da espécie Pithecopus gonzagai. O registro foi feito em Angicos, no Rio Grande do Norte, durante uma expedição na Caatinga, bioma em que Jared tem se dedicado a estudar as adaptações de anfíbios por mais de 40 anos. O momento retratado ocorre logo após as chuvas, quando esses animais emergem de seus esconderijos, ressaltando a prioridade da reprodução sobre a alimentação nesse período crítico.
Carlos Jared explica que a escolha do título reflete essa dinâmica natural, enfatizando que, com a chegada das chuvas, a principal preocupação dos anfíbios é garantir a continuidade da espécie. Registrar esse comportamento implica um entendimento profundo do ciclo de vida dos animais e dedicados anos de observação em campo. Ele destaca que um pequeno intervalo de tempo poderia ter feito toda a diferença na captura desse momento único, mostrando a distinta relevância dessa fotografia.
O reconhecimento pela Royal Society evidencia como a fotografia científica pode ser uma poderosa ferramenta de engajamento com o público. A edição de 2026 da Summer Science Exhibition irá focar em imagens que transmitam narrativas claras sobre a biodiversidade e a pesquisa científica, com o objetivo de tornar a ciência mais acessível. Jared pontua que “muito além da beleza estética, a fotografia registra décadas de pesquisa sobre a biodiversidade brasileira.”
Carlos Jared possui um acervo vasto, com mais de 46 mil imagens captadas durante investigações em diversos biomas brasileiros desde a década de 1970. Para ele, a fotografia é uma extensão de sua pesquisa, surgindo não apenas como um produto final, mas como parte integrante do seu trabalho científico.
Ele enfatiza que imagens impactantes despertam a curiosidade do público. À medida que visualizam a beleza das fotografias, as pessoas tendem a querer compreender os fenômenos envolvidos, iniciando um importante processo de divulgação científica.
Com extensa trajetória, Jared também tem suas fotografias publicadas em capas de revistas e livros científicos, reiterando a intersecção entre ciência e arte. Ele afirma que “a arte ajuda a comunicar a ciência, e a ciência oferece histórias extraordinárias para a arte registrar.” Essa conexão entre as duas áreas não apenas enriquece a pesquisa, mas também promove uma maior apreciação da ciência pela sociedade.
Crédito da imagem: divulgação/reprodução

