Incêndios em carros elétricos ainda são raros, mas atraem atenção devido à dramaticidade dos eventos. Com vídeos exibindo labaredas intensas e fumaça densa, muitos motoristas e consumidores se questionam se esses veículos são mais perigosos que os tradicionais a combustão. Especialistas explicam que o contexto por trás dessas ocorrências é multifacetado e envolve turnos de falha nas baterias que, se não compreendidos, podem gerar insegurança no uso desses modelos.
A análise de especialistas em engenharia automotiva revela que a fuga térmica é o fenômeno mais associado a incêndios em veículos elétricos. No entanto, essa situação não surge do nada e pode ser iniciada por diferentes fatores. Os engenheiros Erbis Biscarri e Eduardo Zambelli identificaram três principais causas que podem levar a um incêndio. A primeira refere-se a danos físicos, que podem ocorrer por colisões ou deformações. A segunda provém de um carregamento inadequado. Por fim, a terceira causa são falhas internas, decorrentes de defeitos de fabricação ou degradação ao longo do tempo.
Embora as causas possam variar, todas elas têm um ponto em comum: podem gerar um aumento descontrolado da temperatura dentro da bateria. Assim, o desafio não reside apenas na fuga térmica, mas nas condições que podem desencadear essa falha.
Os veículos elétricos, por sua natureza, não operam em um ambiente isolado de riscos. Eles permanecem suscetíveis a causas de incêndio tradicionais, como curtos-circuitos e falhas mecânicas. No entanto, a grande quantidade de energia concentrada nas baterias de alta tensão traz uma particularidade. “O carro elétrico continua sendo um carro. Pode pegar fogo pelos mesmos motivos de um veículo a combustão, mas possui uma bateria muito grande que requer um controle rigoroso,” ressalta Biscarri.
Outro aspecto que causa temor é a intensidade visual dos incêndios em carros elétricos. Durante uma fuga térmica, as chamas têm tendência a ser mais agressivas, com a liberação de gases e potencial para pequenas explosões. Isso resulta em imagens mais impactantes do que as de incêndios em veículos a combustão. Além disso, o tempo necessário para controlar um incêndio em uma bateria é consideravelmente maior. Enquanto incêndios em carros convencionais podem ser controlados em poucos minutos, os que envolvem baterias podem levar horas.
A dificuldade em controlar essas chamas está centrada na estrutura selada das baterias. O acesso direto às células é restrito, e o calor gerado internamente pode reativar a chama mesmo após a contenção inicial. “O problema é resfriar a bateria por dentro,” explica Zambelli. O combate adequado envolve o uso de grandes volumes de água, que podem chegar a milhares de litros — em alguns casos, até 40 mil litros — e monitoramento contínuo após o controle das chamas.
Os veículos elétricos modernos estão equipados com sistemas de gerenciamento de bateria que monitoram temperatura, tensão e funcionamento em tempo real. Isso permite que motoristas identifiquem problemas potenciais através de sinais como perda de desempenho e alertas no painel. Esses sistemas podem reduzir a potência do carro ou limitar o carregamento da bateria como precaução.
Um mito comum se refere à ideia de que temperaturas altas, como as encontradas no Brasil, aumentam o risco de incêndios. Entretanto, especialistas garantem que as baterias são projetadas para operar em diversas condições climáticas e que não há evidências de que o calor, por si só, seja um fator de risco.
Se o foco está em identificar riscos, é crucial ressaltar que intervenções impróprias, histórico de acidentes e reparos mal executados podem ser fatores de preocupação. A tecnologia das baterias é segura, mas a sua utilização deve ser feita dentro das condições certas para evitar incidentes. Entender essas nuances é vital para motoristas e consumidores que buscam segurança e eficiência em suas escolhas de veículos.
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