Um capotamento representa um dos cenários mais críticos e angustiosos no trânsito, podendo gerar graves consequências para as vítimas e dificultar a ação de socorro. Este tipo de acidente frequentemente ocorre devido à combinação de velocidade excessiva, manobras imprudentes e condições adversas da pista. A maneira como os envolvidos reagem pode ser crucial para minimizar riscos e evitar lesões. Compreender os fatores de risco e seguir as orientações corretas é essencial para motoristas e para quem se dispõe a ajudar.
Quando um veículo capota, a dinâmica do acidente pode resultar em lesões, mesmo para ocupantes que aparentam estar bem. O 1º Tenente do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, Elias Cristovam de Souza Júnior, alerta que mesmo pequenas mudanças de posição podem gerar consequências sérias, como traumatismos na cabeça, pescoço e coluna, além de fraturas ou lesões internas.
Os riscos que uma vítima enfrenta em um capotamento incluem:
- O veículo se torna potencialmente instável, especialmente se estiver de lado ou de cabeça para baixo.
- Pode ocorrer vazamento de combustível, riscos de incêndio, além de partes do veículo, como vidros e ferragens, se tornarem perigosas.
- A posição da vítima no veículo pode gerar situações de risco, como ser ejetada durante o acidente, estar inconsciente ou presa a ferragens.
Diante de um capotamento, as vítimas devem seguir algumas diretrizes para garantir a segurança:
- Permanecer calma.
- Evitar movimentos bruscos, principalmente com a cabeça e o pescoço.
- Verificar se alguma parte do corpo está presa.
- Acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193 ou pedir que outra pessoa faça isso.
Se não houver uma ameaça imediata à vida, como fumaça ou incêndio, a vítima deve evitar sair do veículo até que a situação se torne mais segura. Um vídeo amplamente compartilhado nas redes sociais detalha como sair do carro de maneira segura:
- Procure apoio rígido, como a porta do carro.
- Posicione seus pés firmemente contra o teto do veículo para suportar o peso do corpo.
- Desaperte o cinto de segurança apenas depois de estar com o corpo estabilizado.
- Ajoelhe-se cuidadosamente sobre o teto.
- Saia de costas da maneira mais lenta e controlada possível.
- Se houver mais passageiros, a evacuação deve ser feita um a um, de maneira ordenada.
Para quem presta socorro, é fundamental não agravar a situação. O Tenente Elias recomenda não tentar resgatar vítimas sem o devido treinamento ou ferramentas adequadas. Algumas práticas a serem evitadas incluem:
- Não retirar a vítima à força do veículo.
- Não solicitar que a vítima se levante ou gire a cabeça.
- Não desaperte o cinto de segurança abruptamente.
- Não mover o veículo ou tentar “desvirá-lo”.
- Não manusear componentes elétricos, airbags ou qualquer sistema relacionado à segurança do veículo.
- Não permanecer próximo em situações de incêndio ou fumaça.
Antes de qualquer abordagem, quem se dispõe a ajudar deve assegurar a própria segurança, observando o ambiente, como possíveis vazamentos de combustíveis ou a posição instável do veículo. As etapas a seguir incluem:
- Chamar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo 193, informando sobre a situação.
- Sinalizar a área se possível, sem se expor ao tráfego.
- Aproximar-se com cautela.
- Conversar com a vítima, tentando acalmá-la, e instruir para que não faça movimentos.
- Verificar a consciência e respiração da vítima, observando ferimentos sérios.
- Se necessário, iniciar o atendimento a hemorragias, utilizando material limpo.
- Se houver risco iminente, considerar uma retirada emergencial, sempre com a devida cautela.
A atenção especial deve ser dada a crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida, que requerem cuidados adicionais. Para as crianças, a asfixia postural é um risco constante, e a orientação é que permaneçam nos dispositivos de retenção até a chegada dos socorristas. No caso de idosos ou pessoas com mobilidade reduzida, improvisações na movimentação podem resultar em traumas adicionais, por isso, é recomendável aguardar a equipe especializada para uma abordagem segura.
A correta administração do socorro e as decisões tomadas nessa fase podem impactar significativamente a recuperação das vítimas e a segurança de todos os envolvidos.
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