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Desmatamento na Amazônia atinge o menor patamar em 41 anos, com 693 mil hectares

Apesar da queda no desmatamento, desafios persistem com a expansão da agropecuária e a pressão de atividades de exploração na Amazônia.

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Desmatamento na Amazônia atinge o menor patamar em 41 anos, com 693 mil hectares
rio negro
A Amazônia regula o clima e os ciclos de chuvas. Foto: Natasha Olsen

A Amazônia brasileira registrou em 2025 seu menor nível de desmatamento em 41 anos, com um total de 693 mil hectares desmatados. Desse montante, 92% (639 mil hectares) correspondem a vegetação primária, enquanto a área desmatada em vegetação secundária foi de 54 mil hectares.

Esses dados fazem parte da Coleção 11 do MapBiomas, que mapeia a cobertura e uso da terra no Brasil desde 1985. Apesar da queda no desmatamento, a região ainda enfrenta desafios significativos. Entre 1985 e 2025, cerca de 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa foram perdidos, enquanto a área destinada à agropecuária aumentou 440%, totalizando a conversão de 74,6 milhões de hectares para uso antrópico.

Transformações na utilização da terra

A pastagem continua a ser o principal uso do solo em áreas desmatadas, representando 77% dos casos em que houve conversão de vegetação nativa. No final do período da pesquisa, 37,7 milhões de hectares foram estabelecidos como pastagem. Em termos de agricultura, a área aumentou de 161 mil hectares em 1985 para 8,6 milhões de hectares em 2025, com a soja passando de 1,4 mil hectares para 7 milhões de hectares.

Pressões do crescimento infraestrutural

O avanço da agropecuária tem demonstrado uma correlação direta com a proximidade de estradas. Nos arredores das áreas protegidas, a agropecuária cresceu 561% desde 1985. Nas áreas dentro de um raio de 5 quilômetros das rodovias, ela ocupa 40,2% da área, ampliando o acesso a áreas anteriormente isoladas e gerando novas pressões sobre a vegetação nativa.

Bruno Ferreira, pesquisador do MapBiomas, alerta que “a expansão das estradas não representa apenas a abertura de novos caminhos de circulação”, mas também pode intensificar a exploração de recursos naturais e a ocupação irregular de áreas protegidas.

Estado das áreas protegidas

Dentro das áreas reservadas, como Terras Indígenas e Unidades de Conservação, a vegetação nativa ainda representa 98% da cobertura, evidenciando o papel crucial dessas regiões para a conservação. No entanto, a proximidade de atividades de exploração pode resultar em crescente vulnerabilidade.

Dinâmicas distintas na Amazônia

As transformações na vegetação não ocorreram de maneira uniforme. A região conhecida como Amacro, que abrange municípios de Amazonas, Acre e Rondônia, perdeu 7 milhões de hectares de vegetação nativa, uma queda de 16% desde 1985. A área de pastagem aumentou 15 vezes, refletindo forte pressão sobre a vegetação local.

A conservação da vegetação nativa varia consideravelmente por estado, com proporções que vão de 95,5% no Amapá a 24,6% no Tocantins. Além disso, as áreas úmidas da Amazônia, que incluem rios, lagos e florestas alagáveis, também estão em declínio, somando 59,8 milhões de hectares, 2,7 milhões a menos que em 1985.

Pressões adicionais: mineração

O setor de mineração também contribuiu para a redução da vegetação, aumentando sua área de 32 mil hectares em 1985 para 440 mil hectares em 2025. Essa ampliação representa uma quase quatorze vezes maior do que os registros anteriores.

A Coleção 11 do MapBiomas disponibiliza dados sobre a cobertura e uso da terra, incluindo 33 classes diferentes de uso desde 1985, promovendo um espaço essencial para análises sobre a evolução do bioma ao longo das décadas.

Bruno Tavares

Fundador da Pixel Project

Sou fundador da Pixel Project e atuo há mais de 15 anos com desenvolvimento web, WordPress, SEO e projetos digitais. No Mercado ETC, acompanho temas ligados a tecnologia, negócios, marketing, autos e tendências do mercado.

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