A nova cota de importação com alíquota zero para veículos elétricos, que entra em vigor nesta quarta-feira (1º), pode impactar diretamente as montadoras e o mercado automotivo nacional. A medida, válida por seis meses, foi aprovada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) e apresenta um limite de US$ 463 milhões para a importação de veículos CKD (totalmente desmontados) e SKD (semi desmontados). O aumento da concorrência externa preocupa a indústria nacional e pode prejudicar investimentos locais.
De acordo com o Gecex, a partir do limite estabelecido, modelos SKD enfrentarão uma taxa de 35% a partir do próximo mês, enquanto os CKD manterão uma cobrança de 14% até o final do ano, para depois subir para 35% em janeiro de 2027. A BYD é apontada como a principal beneficiada por esta renovação, já que opera com o sistema SKD em sua fábrica na Bahia, enquanto a GWM, também montadora chinesa, afirmou não ter solicitado a extensão do benefício.
Críticas à decisão não faltam. O presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, Aroaldo Silva, manifestou que a medida pode desestimular a produção nacional e atrapalhar o mercado, destacando que novos projetos de investimento foram arquitetados com base nas regras anteriores. Segundo ele, a ampliação das cotas gera insegurança e desmotivação para a indústria que já começa a responder aos incentivos governamentais.
A Anfavea expressou descontentamento, afirmando que a decisão foi tomada sem dialogar com o setor e que a produção de veículos eletrificados no Brasil aumentou significativamente. Em 2025, os veículos eletrificados correspondem a 25,9% das vendas e, até maio de 2026, o mercado registrou um aumento de 57% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Esse cenário levanta temores sobre o futuro da indústria local. O presidente eleito do Sindicato dos Metalúrgicos do Grande ABC, Wellington Damasceno, adverte que a medida, apesar de não causar impactos imediatos, pode incentivar um movimento em direção à importação de CKDs e SKDs, reduzindo a competitividade das produções nacionais.
Além disso, um estudo da Anfavea alerta que a fabricação em massa desses kits importados pode resultar em uma perda de R$ 96,8 bilhões para o setor de autopeças, além de afetar a arrecadação e o emprego em toda a cadeia produtiva. Rafael Cervone, do Ciesp, reforça que a nova cota cria uma “concorrência desleal” e compromete a previsibilidade do setor.
Por outro lado, o governo federal defende que a renovação das cotas visa não apenas ampliar a variedade no mercado, mas também contribuir para a descarbonização da frota nacional. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, essa estratégia fortalece a inovação e a criação de veículos mais sustentáveis.
Diante desse panorama, enquanto alguns veem a renovação das cotas como uma possibilidade de crescimento, outros indicam que é um retrocesso que fragiliza a indústria nacional e seus futuros investimentos. Assim, permanece a expectativa sobre como as montadoras reagirão a essas mudanças e quais serão os impactos reais no mercado de veículos elétricos no Brasil.
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