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Contaminantes na carne de cação: riscos à saúde e conservação marinha

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Contaminantes na carne de cação: riscos à saúde e conservação marinha

O consumo de carne de tubarão, especificamente a que é comercializada como “cação”, apresenta riscos à saúde que não podem ser ignorados. Um estudo recente revela altas concentrações de contaminantes na carne, alertando sobre a necessidade urgente de reavaliar a sua inclusão na dieta, especialmente para grupos mais vulneráveis, como crianças e gestantes. A transparência na rotulagem e a regulamentação adequada são essenciais para proteger os consumidores e a biodiversidade marinha.

A pesquisa, realizada de forma independente por um grupo de cientistas, analisou 240 amostras de carne de tubarão, incluindo produtos do estado de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Entre as substâncias nocivas identificadas estão o alumínio, arsênio, cádmio, mercúrio e chumbo, com concentrações alarmantes que superam os limites regulamentares em muitas amostras. O cádmio, em particular, foi encontrado em quantidades que podem causar sérios danos à saúde, como problemas renais e aumento do risco de câncer.

Além da contaminação química, a pesquisa revelou que 85% das amostras eram de importação, com destaque para regiões como Taiwan e Portugal. Mesmo com a identificação genética das amostras, que apontou que todas pertenciam ao tubarão-azul (Prionace glauca), apenas 68% dos rótulos informaram corretamente essa informação, complicando a rastreabilidade e a transparência do comércio.

O tubarão-azul é uma das espécies mais comercializadas no Brasil, classificada como “Quase Ameaçada” pela IUCN. O estudo enfatiza a necessidade de políticas públicas que não apenas protejam os consumidores, mas também as populações de tubarões e o meio ambiente. Apesar dos alertas científicos, a carne de tubarão ainda é recomendada em guias alimentares para crianças, o que levanta preocupações sobre a saúde pública.

Como consequência dessa situação, a Sea Shepherd Brasil entrou com uma ação civil pública buscando mudanças na comercialização do pescado. Em março de 2026, uma decisão judicial obrigou que produtos vendidos como “cação” tenham sua espécie e origem claramente identificadas, um avanço para a transparência. No entanto, isso não resolve todos os problemas, já que a carne de tubarão ainda é permitida em várias diretrizes alimentares.

Os dados do estudo indicam que a discussão sobre o consumo de carne de tubarão deve ser ampliada para abranger a saúde pública, a conservação ambiental e a proteção das espécies. O apelo é claro: evitemos o consumo de tubarão não apenas para saúde individual, mas também para o bem-estar dos oceanos e da biodiversidade.

Para quem considera incluir carne de tubarão na dieta, é importante refletir sobre os potenciais riscos à saúde e as implicações éticas e ambientais. A falta de clareza nos rótulos e a presença de contaminantes tornam essa opção alimentar arriscada. A conscientização e a escolha responsável são fundamentais para uma alimentação mais saudável e sustentável.

Crédito da imagem: divulgação/reprodução

Bruno Tavares

Fundador da Pixel Project

Sou fundador da Pixel Project e atuo há mais de 15 anos com desenvolvimento web, WordPress, SEO e projetos digitais. No Mercado ETC, acompanho temas ligados a tecnologia, negócios, marketing, autos e tendências do mercado.

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