A infraestrutura de recarga para carros elétricos no Brasil está se expandindo rapidamente, já contando com mais de 25 mil pontos públicos e semipúblicos disponíveis. Em maio de 2026, o país registrou 25.455 carregadores em operação, um aumento significativo de 20,9% em apenas três meses. Essa evolução não reflete apenas um número crescente de carregadores, mas também uma mudança estrutural na eletromobilidade, evidenciando uma maior presença de carregadores rápidos e melhorias no ambiente regulatório.
Especialistas do setor indicam que esse crescimento sinaliza uma mudança de patamar no mercado de veículos elétricos no Brasil. Para Davi Bertoncello, diretor executivo da Tupi Mobilidade, o país deixou a fase de testes e entrou na fase de escala. Essa mudança é impulsionada por três fatores principais: a redução dos custos dos equipamentos, o aumento da demanda por veículos elétricos em viagens de média e longa distância, e as melhorias no ambiente regulatório.
A expansão dos carregadores rápidos também é notável, com um aumento de 32,8%, passando de 6.479 pontos em fevereiro para 8.606 em maio. Esses equipamentos agora representam 33,8% da rede nacional, o que transforma a experiência de recarga, tornando-a mais semelhante à de abastecer um veículo convencional. Com a chegada de carregadores ultrarrápidos, com potências de até 480 kW, a ideia de planejar a recarga com antecedência começa a ser substituída pela possibilidade de paradas breves durante os trajetos.
A recarga lenta também está em ascensão, apresentando um crescimento de 15,5% no mesmo período, impulsionada pela implementação da Lei 18.403/2026 em São Paulo, que garante o direito à instalação de carregadores em vagas privativas de condomínios. A presença desses carregadores em residências é crucial, pois a maior parte das recargas ocorre em casa. A instalação de carregadores em locais adequados tende a melhorar a dinâmica do mercado e a percepção do consumidor sobre veículos elétricos.
A expansão da infraestrutura não se limita apenas às capitais. O Norte do Brasil, por exemplo, destacou-se com um crescimento de 51% na recarga rápida. Esse padrão de crescimento mais distribuído, que já abrange 1.832 municípios, leva a uma maior interiorização da eletromobilidade no país.
Entretanto, para garantir a continuidade desse crescimento, três pilares são fundamentais: uma regulação clara que garanta a segurança jurídica em todo o território nacional, a expansão da rede para áreas fora dos grandes centros urbanos e a integração entre sistemas de recarga, facilitando o uso de diferentes redes. O momento é positivo, mas exige que esses pilares sejam sustentados para evitar gargalos futuros.
Com o Brasil se consolidando nessa fase de aceleração da eletromobilidade, a infraestrutura de recarga passou a ser um elemento essencial na transição energética do país. Com a tendência de crescimento da rede, especialistas acreditam que ela se tornará um facilitador e não um limitador para a frota de veículos elétricos.
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