O Brasil enfrenta um desafio significativo: em 2025, o consumo de diesel alcançou cerca de 50,5 bilhões de litros, excedendo 138 milhões de litros diários. A dependência do diesel, essencial para a cadeia produtiva, transporte público e logística, impõe um peso econômico ao país, especialmente considerando que mais de 27% deste combustível foi importado devido à insuficiência da produção nacional. Essa situação não só gera instabilidade nos preços — atrelados ao mercado internacional — mas também acarreta um impacto ambiental severo, uma vez que a queima do diesel é uma das principais fontes de poluição e emissões de CO₂.
A busca por alternativas sustentáveis
Em resposta a esse cenário, surge o biometano, um combustível renovável gerado a partir da decomposição de resíduos orgânicos, como lixo urbano e dejetos agropecuários. O Brasil se destaca nesse contexto, com um potencial estimado de produção que pode atender até 50% da demanda nacional de diesel até 2035, conforme estimativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Assim, o biometano apresenta-se como uma solução não apenas para a redução da dependência do diesel, mas também para minimizar os impactos ambientais causados por sua queima.
O fluxo de produção do biometano
O processo para a produção de biometano é relativamente simples: os resíduos orgânicos são depositados em silos de compostagem, onde bactérias transformam a matéria em biogás. Esse biogás é então purificado e comprimido, tornando-se biometano. Esse ciclo se destaca por sua eficiência, e o resíduo final pode ser utilizado como fertilizante, completando um ciclo sustentável de produção e uso.
Impacto prático para o setor automotivo
Com caminhões e ônibus já operando com biometano em cidades como Goiânia, e segmentos da indústria automotiva desenvolvendo motores otimizados para esse gás, as opções de veículos movidos por biometano estão se expandindo rapidamente. A MWM, por exemplo, oferece motores que operam com biometano, e transportadoras como ReiterLog e Mercado Livre estão adotando essa tecnologia em suas frotas.
A Toyota também se destaca neste movimento. O protótipo da Hilux movida a biometano foi apresentado na Agrishow 2025, refletindo um compromisso com a redução de emissões por meio de diversas tecnologias. Porém, a empresa informou que o lançamento comercial ainda está em desenvolvimento, enfatizando que o biometano é uma parte da estratégia de diversificação energética.
Perspectivas futuras
Com as metas estabelecidas pela Lei do Combustível do Futuro, que prevê uma gradual mistura de biometano ao gás natural, a transformação na matriz energética brasileira mostra-se promissora. Este carvão renovável não apenas visa a transição energética, mas também busca uma solução energética mais segura, que aproveite a vasta quantidade de resíduos gerados no país, reduzindo a necessidade de importação de combustíveis fósseis.
Assim, o biometano não é apenas uma alternativa viável para o futuro do transporte, mas também uma estratégia de desenvolvimento sustentável que pode beneficiar tanto a economia quanto o meio ambiente, sinalizando uma nova era no setor de combustíveis no Brasil.

