A premiação da bióloga de conservação Fernanda Abra com o Wayfinder Award, concedido pela National Geographic Society, é um marco importante para o Brasil e para a conservação ambiental. A honraria é destinada a líderes que desenvolvem soluções inovadoras para os desafios mais prementes do planeta. Além de um aporte de US$ 50 mil, a premiação concede a autoria de Exploradora da National Geographic, proporcionando acesso a uma rede global de exploradores e oportunidades de financiamento.
Fernanda Abra é cofundadora do Instituto Reconecta e da ViaFAUNA, além de trabalhar com o Smithsonian National Zoo and Conservation Biology Institute. Sua atuação foca na conexão entre infraestrutura e conservação da biodiversidade, especialmente na Amazônia, onde lidera iniciativas que buscam reduzir os impactos de rodovias sobre a fauna silvestre. O projeto mais emblemático é a instalação de pontes de dossel, que permitem a travessia segura de animais arborícolas, uma solução crucial em um momento em que a fragmentação de habitats é uma preocupação crescente.
Desde 2021, o Projeto Reconecta já instalou dezenas de pontes de dossel na Amazônia, registrando mais de 20 mil travessias seguras de animais. Essa iniciativa começou ao longo da BR-174, que atravessa a Terra Indígena Waimiri-Atroari, estabelecendo um exemplo de como a conservação pode ser compatível com o desenvolvimento rodoviário. O projeto, em colaboração com organizações como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Universidade Federal do Amazonas, transformou um histórico conflito em um modelo de cooperação entre ciência e comunidades locais.
O modelo das pontes foi desenvolvido com base em pesquisas científicas e agora se tornou o padrão recomendado pelo DNIT para rodovias federais. As diretrizes publicadas recentementes no livro “Segurança Viária e Conservação da Fauna” reforçam a convergência entre infraestrutura e sustentabilidade.
O impacto das pontes já é visível, especialmente em Alta Floresta, onde sete estruturas resultaram em quase 15 mil travessias de várias espécies, incluindo algumas ameaçadas, como o zogue-zogue-de-Alta-Floresta, um primata crítico para a biodiversidade da região. O reconhecimento do projeto não só contribui para a conservação, mas também fortalece a interação entre a fauna e as comunidades, promovendo uma nova cultura de respeito e proteção à natureza.
Com a expansão da iniciativa prevista, Alta Floresta irá receber mais oito pontes, enquanto novas instalações estão planejadas para Lucas do Rio Verde. Além disso, o projeto busca parcerias estratégicas, como com a Energisa, para garantir a instalação segura das estruturas. Essa abordagem equilibrada será crucial para restaurar a conectividade ecológica em uma região que se destaca pela sua rica biodiversidade.
As iniciativas de conservação na Amazônia demonstram que é possível conciliar desenvolvimento e sustentabilidade, uma jornada que, embora desafiadora, é fundamental para garantir um futuro onde fauna e infraestrutura coexistam harmoniosamente.
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