A história da gasolina azul, tão emblemática entre os amantes de carros antigos, revela muito sobre a evolução dos combustíveis e suas implicações no desempenho dos veículos. Este combustível, que era fundamental para carros como o Dodge Charger R/T, tornou-se um verdadeiro ícone nas décadas passadas, especialmente entre os entusiastas de modelos potentes. Compreender suas características e a transição para os combustíveis modernos é essencial para motoristas, oficinas e consumidores que desejam conhecimento aprofundado no mercado automotivo.
Conhecida por sua alta octanagem, a gasolina azul era a respeitável opção de 95 octanas RON, enquanto a gasolina comum da época compreendia apenas 87 octanas RON. Antes de se popularizar, essa gasolina tinha um corante azul adicionado para distingui-la da “gasolina amarela”, que era de baixa octanagem. Carros de alta performance, com taxa de compressão elevada, como o Dodge Charger R/T, necessitavam dessas características para otimizar seu funcionamento. Vale ressaltar que a gasolina vendida no Brasil até 1981 continha chumbo tetraetila, um elemento antidetonante, com uma mistura de até 5% de etanol, utilizada somente para absorver excedentes da produção de cana-de-açúcar.
Com o passar dos anos e a crescente conscientização ambiental, a utilização do etanol começou a ganhar força. A primeira crise do petróleo, ocorrida nos anos 70, impulsionou o governo brasileiro a promover o uso do álcool como combustível renovável. Assim, o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) foi estabelecido em 1975, e o Fiat 147 se tornou o primeiro carro a funcionar exclusivamente com esse combustível no Brasil, em 1979.
O fim da gasolina azul foi decretado em 1982, quando o governo começou a adicionar 12% de etanol à gasolina comum. Com essa mudança, a octanagem da gasolina regular passou a ser semelhante à da antiga gasolina azul. Isso culminou em um ajuste simples no carburador para carros que costumavam utilizar a gasolina de alta octanagem, dando origens novas práticas no setor e tornando o etanol a escolha popular entre os apreciadores de desempenho.
Atualmente, a gasolina disponível no Brasil apresenta octanagem de 91 RON na versão comum, com opções premium que alcançam 98 RON. A Podium da Petrobras conta com 102 RON e a OctaPro da Ipiranga pode chegar a 103 RON. Mesmo carros importados de luxo estão habilitados para utilizar a gasolina comum, que hoje é composta por 32% de etanol, em comparação com os 25% das variantes premium.
Essa mudança não apenas unificou o mercado, mas também preservou o desempenho dos motores de alta performance, especialmente em veículos mais antigos ou em esportivos. Para os motoristas que possuem carros clássicos ou de alto desempenho, compreender a transição dos combustíveis e as especificidades da octanagem disponível é vital para a manutenção e desempenho adequado de seus veículos. Ao longo das décadas, as exigências e inovações do setor automotivo moldaram a forma como os combustíveis são utilizados e abordados, refletindo as necessidades da indústria e dos consumidores.
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