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veja o que especialistas dizem sobre o caso que aterroriza crianças ao redor do mundo

Escrito por Paulo Carmino

O “Desafio MoMo” é a mais nova farsa da internet que já assombra os pais e educadores infantis desde a metade de 2018

Depois de desafios como o da “Baleia Azul”, que resultou em mais de 100 suicídios de crianças e adolescentes ao redor do mundo, segundo a revista Superinteressante, incluindo três meninas na Rússia, onde o desafio teve início, como reportou o portal R7, mais uma dessas ameaças já preocupam os pais: a MoMo

Desafio MoMo 

Escutura da MoMo em exibição no Japão (Reprodução/Instagram)

Mas o que é exatamente esse desafio MoMo? A MoMo é uma espécie de personagem com visual aterrorizante, originalmente criada por uma empresa japonesa de efeitos especiais e exibida em uma galeria de arte com imagens alternativas, e que se transformou no mais novo “viral” de “fake news” que assombra os pais e educadores infantis ao redor do mundo. 

No início, lá em meados de 2018, a MoMo ficou conhecida como uma “lenda urbana” de que ela mandaria mensagens perturbadoras para quem entrasse em contato com ela por meio de um número de WhatsApp original do Japão. A conversa acontecia em várias línguas, com frases perturbadoras, e causou preocupação entre os pais de crianças 

Agora MoMo voltou a se tornar notícia após uma espécie de desafio ter ganhado notoriedade, também no WhatsApp, assemelhando-se ao desafio da “Baleia Azul”, com supostas instruções para o suicídio infantil. 

E no YouTube? 

Depois de tudo isso, o desafio MoMo voltou a aterrorizar os pais nos últimos dias após notícias circularem nas redes sociais e mensageiros de que a personagem aterrorizante estaria aparecendo em vídeos no YouTube Kids, ensinando as crianças a se suicidarem. 

Nas mensagens, vídeos que tinham a falsa intenção de comprovar a aparição de MoMo eram compartilhados como uma febre. 

Mas o Google garantiu, em comunicado à imprensa publicado pelo site Propmark, que nenhum vídeo em sua plataforma estaria “contaminado” com a MoMo, portanto o que está sendo compartilhado são vídeos editados posteriormente e disponibilizados fora do YouTube Kids

“Ao contrário dos relatos apresentados, não recebemos nenhuma evidência recente de vídeos mostrando ou promovendo o desafio Momo no YouTube Kids. Conteúdo desse tipo violaria nossas políticas e seria removido imediatamente. Também oferecemos a todos os usuários formas de denunciar conteúdo, tanto no YouTube Kids como no YouTube. O uso da plataforma por menores de 13 anos deve sempre ser feito pelo YouTube Kids e com supervisão dos pais ou responsáveis. É possível que a figura chamada de “Momo” apareça em vídeos no YouTube, mas somente naqueles que ofereçam um contexto sobre o ocorrido e estejam de acordo com nossas políticas. Para mais detalhes, vale consultar a página sobre Segurança Infantil no YouTube”

Google em comunicado sobre o caso MoMo

Análise profissional 

Apesar do furor causado pelo compartilhamento de informações falsas, o desafio MoMo, segundo especialistas internacionais, não oferece nenhum tipo de perigo real às crianças. 

Para Benjamin Radford, pesquisador do Comitê de Inquérito Cético dos Estados Unidos, anteriormente conhecido como Comitê para a Investigação Científica de Alegações de Paranormalidade, o caso MoMo ganhou a notoriedade que tem agora por causa do pânico dos pais.

“Essas modas são parte de um pânico moral, alimentado pelas preocupações dos pais em saber o que seus filhos estão fazendo”, 

Benjamin Radford, em entrevista à revista Rolling Stone

Conversar com os pequenos e conscientizá-los da segurança na internet, logo cedo, é uma das dicas apresentadas por David Emm, analista da Kaspersky Lab, em seu relatório sobre o desafio MoMo.

Lembrar que “fazer amizades” com pessoas online também pode representar um perigo à segurança das crianças, portanto é sempre bom garantir que os pequenos confiem na palavra de um adulto nessas ocasiões e em outras situações que possam oferecer um risco ao bem-estar deles. 

David Emm ainda alertou para os cuidados a se ter com os filhos, não só em relação ao desafio MoMo, mas a tudo o que os pequenos podem ser expostos na internet.  

Configurações de segurança também ajudam bastante a reduzir os perigos de exposição das crianças a conteúdos impróprios e nocivos. Bloqueios e relatórios de uso são ótimas ferramentas para uma navegação infantil segura pela internet. 

Fake News e cuidados na Internet 

Segurança na Internet
Segurnaça na Internet

A educação e bem-estar dos filhos é uma tarefa de tempo integral e exige muita atenção diária, principalmente sobre o que os pequenos consomem de entretenimento e informação nesse universo que é a internet. E com o avanço e popularização da rede mundial de computadores e a sua facilidade de acesso, ameaças, disfarçadas como “desafios” ao bem-estar das crianças é sempre pauta para noticiários e grupos de pais e familiares.

O caso MoMo é só mais um que chega para mostrar o poder da viralidade de informações na internet e como essas informações, quanto mais compartilhadas, acabam ganhando um status de “verdade” e causando pânico nas pessoas. 

O compartilhamento de informações sem sua veracidade, acabaram por se tornar algo tão corriqueiro como uma simples curtida em uma foto no Instagram e isso vem transformando a realidade de nossos dias e causando pânico, como no caso do desafio MoMo

No caso da MoMo, a situação é realmente de uma grande farsa, sem uma real confirmação de algum suicídio envolvendo o desafio. O Centro para uma Internet Mais Segura, a Sociedade Nacional para Prevenção de Crueldade Contra Crianças e o Samaritans, todos institutos do Reino Unido, garantiram, após análise do caso MoMo, não há evidências de crianças feridas ou machucadas de alguma forma por causa do desafio.  

“O que é mais importante são os pais e as pessoas que trabalham com crianças se concentrarem em métodos de segurança da internet” 


Porta-voz do Samaritans em entrevista ao jornal britânico The Guardian

O desafio MoMo é só mais um grande viral de “fake news” compartilhado incessantemente por pais preocupados com a exposição dos filhos à conteúdo inapropriado e perigoso. É também um alerta para os responsáveis a terem ainda uma maior atenção ao acesso das crianças ao grandioso mundo da internet.

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Paulo Carmino