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Processada por machismo, produtora de LoL vai distribuir US$ 10 milhões a mulheres

Escrito por Paulo Carmino

A Riot Games, criadora de League of Legends (LoL), irá distribuir US$ 10 milhões entre suas funcionárias como parte de um acordo para encerrar um processo movido contra a empresa na Califórnia, no qual ela foi acusada de machismo.

A produtora de League of Legends foi processada em novembro de 2018 por duas ex-funcionárias sob a acusação de criar e manter uma “cultura tóxica” de machismo no local de trabalho, algo que “recompensaria comportamentos que prejudicam as mulheres”. No processo, uma das funcionárias alegou que seu supervisor na Riot considerava que “a diversidade não deveria ser um ponto importante no design dos produtos da Riot Games porque a cultura de jogos era o último refúgio para meninos adolescentes brancos”.

Um acordo para encerrar o processo foi feito em agosto, mas os detalhes foram divulgados apenas agora. Estima-se que 1.000 funcionárias que foram empregadas pela Riot Games entre novembro de 2014 e a data final do acordo se qualificam para receber uma remuneração de um fundo de US$ 10 milhões. O montante que cada uma irá receber será determinado por quanto tempo elas trabalharam no estúdio, sendo que funcionárias contratadas em período integral receberão uma quantia maior do que aquelas que tinham contratos temporários. As partes envolvidas no processo concordaram com essa decisão, mas o tribunal da Califórnia terá a palavra final.

Além de distribuir dinheiro entre suas mulheres, a Riot Games declarou que está compromissada em erradicar a discriminação de gênero e a partir de agora terá uma diretora de diversidade, que apresentará relatórios frequentes sobre os progressos realizados nessa área. Em um comunicado, um representante da Riot Games disse: “Temos o prazer de ter um acordo proposto para resolver completamente a ação coletiva. O acordo é outro importante passo à frente e demonstra nosso compromisso de cumprir nossos valores e de tornar a Riot um ambiente inclusivo para os melhores talentos do setor”.

O processo contra a Riot foi iniciado após uma sequência de revelações à imprensa, começando com um artigo do site Kotaku no qual funcionárias atuais e antigas descreviam a existência de uma cultura machista no ambiente de trabalho. Foi relatado e mais tarde alegado no processo que a Riot promovia uma cultura de “homens primeiro” e era comum ver coisas como homens simulando o movimento do quadril em ato sexual, “agarrando o saco” e “envio de fotos não solicitadas e indesejadas da genitália masculina”. Além disso, gerentes da produtora circularam uma lista classificando as funcionárias em um ranking de beleza.

O processo também alegou que as mulheres que denunciaram as práticas machistas à imprensa sofreram retaliação da Riot, incluindo “promoções negadas, recusas em fornecer compensação maior ou remuneração igual, rebaixamentos, redesignação com responsabilidades significativamente diferentes, perdas de benefícios, suspensões, rescisões e outras ações adversas de emprego”. Hoje, a Riot Games tem uma cláusula nos contratos de emprego que força os funcionários a não moverem processos contra ela.

A Riot Games possui aproximadamente 2.500 funcionários em 24 escritórios em todo o mundo e gerou uma receita estimada em US$ 1,4 bilhão em 2018. A empresa é uma das líderes mundiais nos eSports e foi comprada integralmente pela chinesa Tencent em 2015.

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Paulo Carmino