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Polônia vira seus canhões contra as loot boxes

Escrito por Paulo Carmino

A guerra das “loot boxes”, que já faz um ano que vai motivando críticas, declarações, proibições e respostas, encontrou uma nova frente de batalha. Na Polônia, foi apresentada queixa às autoridades sobre a presença de loot boxes no jogo FIFA 19, e a mídia informou que o caso seria investigado.

A possibilidade de as loot boxes serem consideradas como jogos de azar já passou pela Austrália, Bélgica, Holanda, Alemanha, Estados Unidos e vários outros países. Progressivamente, parece que mais e mais países estão encarando o problema.

Loot boxes: recorde o problema

Aqui no Outer Space já falamos desta questão. As loot boxes têm um sistema de funcionamento muito semelhante ao de um caça-níquel virtual, como se encontra no NetBet e em outros sites de cassino online. O jogador paga e espera que a sorte lhe devolva um prêmio, mas isso pode não acontecer – tal como pode não acontecer em um caça-níquel. Esse é o modelo de negócio: todos pagam, alguns ganham, mas outros só perderam o dinheiro.

Os críticos das loot boxes apontam que podem até ser bem piores que uma máquina caça-níquel. Primeiro, porque os cassinos online só permitem ser acessados por jogadores maiores de idade, que sabem perfeitamente que estão jogando a dinheiro e para ganhar dinheiro. Em uma loot box, muitos jogadores são menores e não estão jogando para ganhar dinheiro, mas sim para continuarem em seu videogame. As fronteiras entre o que é jogo e o que não é são bem menos visíveis e claras – os cassinos são mais sinceros e honestos, na visão dos críticos.

Na Polônia, desenvolvedoras vencem primeira batalha

De acordo com o site SegmentNext, as autoridades polonesas acabaram considerando que as loot boxes de FIFA 19 não são consideradas como jogo de azar de acordo com a definição da lei atual. Parece que, pelo menos no momento atual, a EA e as desenvolvedoras suas concorrentes – ou suas aliadas, dependendo do ponto de vista – venceram essa primeira batalha.

Polêmica continuará

Mas a questão prova que as autoridades por todo o mundo estão atentas ao fenômeno. Vale recordar a forma cautelosa como o Entertainment Software Rating Board (ESRB), órgão da indústria nos Estados Unidos, respondeu a questões vindas da senadora Maggie Hassan, no último mês de fevereiro, ou o inquérito que o Senado da Austrália está promovendo e cujos resultados serão publicados em breve.

No mais, na própria Polônia não é impossível imaginar um cenário em que a lei seja alterada para atender ao novo fenômeno. Afinal, o país de nascimento do falecido Papa João Paulo II, que tem atualmente um governo fortemente conservador, tem também leis bem restritivas para o jogo online (liberando apenas as apostas esportivas).

Falta saber, de fato, se no Brasil alguém está atento a essa situação e medindo as consequências, ou se as autoridades só conseguem chegar às casas ilegais de máquinas caça-níquel (onde os jovens gamers têm pouco interesse em entrar).

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Paulo Carmino