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Peças iguais, modelos diferentes e preços variados acima de 200%

Mesmo usando componentes iguais (ou semelhantes), carros que compartilham motores ou plataformas têm custo de reposição bem distintos
por Careca Auto-Peças  1

Um conjunto de embreagem para o Volvo C30 sai por R$ 3.500, enquanto o do Ford Focus 2.0 custa R$ 1.140. Mas se os dois usam a mesma plataforma, o mesmo motor, têm pesos semelhantes e – o mais importante – utilizam um kit que é mecanicamente igual, por que a diferença de preço fica em 207%?

Esse é o exemplo mais extremo de disparidade de valores em itens de reposição praticamente iguais, mas que são vendidos em redes de concessionárias distintas. O mesmo ocorre com outros modelos de marcas diferentes (veja tabela abaixo).

O que causa essa distorção é um conhecido fenômeno da indústria automotiva mundial: a busca por escala de produção. Com volumes maiores, é mais fácil obter descontos dos fornecedores. É o que faz tantos fabricantes usarem plataformas comuns, como a Volkswagen com a MQB, que serve à Audi, à Seat e à Skoda. Ou a Fiat com a SUSW, que serve o Jeep Renegade, Fiat Toro e o futuro substituto dos Jeep Compass e Patriot, o projeto 551.

Curiosamente, a primeira explicação para as diferenças nos valores das peças também está nessa questão de escala. “Fatores como o volume de vendas, o estoque de peças e o tamanho da rede autorizada influenciam no custo”, explica Julian Semple, consultor sênior da Carcon Automotive. “Volumes mais baixos de comercialização custam mais ao fabricante dos componentes, por ter de amortizar o custo de ferramental por um número menor de itens produzidos. O custo do inventário das peças num centro de distribuição para volumes pequenos também é maior do que estocar peças para volumes maiores”, afirma. Além disso, algumas peças muito parecidas podem ter especificações técnicas diferentes, como tipo de material, confiabilidade ou durabilidade. Montadoras premium podem ter especificações mais rígidas e, portanto, componentes mais caros.

Paulo Roberto Garbossa, diretor da ADK Automotive, confirma e reforça. “É tudo diferente nas peças premium: custo de produção, logística… Imagina chegar a uma gráfica e pedir 100.000 embalagens para uma peça de alto volume. Aí você tem a peça premium. E manda fazer na mesma gráfica 1.000 embalagens. É claro que será mais caro. E tem outra questão: além da peça, há também o agregado. Se um carro mais simples der defeito, por exemplo, o dono tem de dar um jeito de levá-lo à concessionária. Se é um automóvel premium, a concessionária manda uma caminhão-prancha buscar.”

Em nossa cotação de preços, tivemos o cuidado de usar como exemplo peças que não teriam razão para apresentar diferenças de especificação técnica. São itens que, segundo Eduardo de Oliveira Neves, da oficina mecânica Nipo-Brasileiro, são rigorosamente iguais. Ele inclusive dá uma dica preciosa. “A bucha de bandeja da Volvo XC60 pode ser usada na Freelander II. É uma opção mais econômica, pois a Land Rover só fornece a bandeja completa”, diz Neves.

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Fonte: QuatroRodas

Créditos : Autos24h