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Mais de 11.000 cientistas declaram emergência climática. O que isso significa?

Escrito por Paulo Carmino

Mais de 11 mil cientistas assinaram um alerta que ressalta emergência climática no planeta e a necessidade urgente de agir para combater as mudanças do clima

Os problemas climáticos que o planeta enfrenta não são recentes. Vemos, há anos, chamados que ressaltam a necessidade de medidas radicais para garantir nossa sobrevivência na Terra. Agora, a situação chegou ao limite e, para conseguir chamar atenção para o problema, os cientistas emitiram um alerta crítico sobre a emergência climática que vivemos.

Manifestantes do mundo inteiro protestam pela situação de emergência climática (Imagem: psmag.com)

Parece um filme de ficção típico: um cientista alertando a sociedade sobre um determinado perigo, ninguém dá ouvidos e depois todo mundo sofre as consequências. Porém, infelizmente, desta vez não é ficção, estamos falando da realidade do nosso planeta. Além disso, não é um cientista sem créditos com a sociedade tentando fazer alarde: mais de 11 mil cientistas com diversas pesquisas tentando mostrar a realidade que muitos não querem enxergar.

Esses cientistas, que cumprem com seu papel de alertar a sociedade para os riscos que corremos, publicaram hoje (5) um alerta na revista BioScience que traz informação sobre a pesquisa climática nos últimos 40 anos e prova que aquecimento global não é “fake news” (notícia falsa).

Em 1979, pesquisadores de 50 países se reuniram na First World Climate Conference (Primeira Conferência Mundial sobre o Clima) em Genebra, na Suíça, e concordaram que era necessário agir para combater as mudanças climáticas. Tal necessidade também foi pauta de conferências e acordos posteriores, como na Conferência do Rio em 1992 (Eco 92), no Protocolo de Kyoto de 1997 e mais recentemente no Acordo de Paris, em 2015, no qual vários países se propuseram a reduzir a emissão de gases do efeito estufa a partir de 2020.

O problema é que, mesmo com tantos alertas e acordos, as emissões de gases do efeito estufa continuam a todo vapor.

cientistas alertam para emergência climática
Cientistas alertam para necessidade de contenção das mudanças climáticas há 40 anos (Imagem: engadget.com)

Com um grande número de material bibliográfico em mãos, os cientistas fizeram um resumo na forma de gráficos e informações que ressaltam aquilo que já ficou muito claro: é preciso agir. Os esforços precisam vir de todos os países, em conjunto e também com ações individuais.

O resultado desse alerta sobre a emergência climática visa ser útil para os tomadores de decisão, para os que se empenham na implementação do Acordo de Paris, para as organizações e também para o público. Os cientistas sugerem seis etapas críticas para tentar reduzir as mudanças climáticas que podem ser tomadas pela sociedade, governantes e outros:

  • Energia: é preciso implementar rapidamente práticas de eficiência energética que envolvam fontes renováveis de energia e outras fontes mais limpas. Os subsídios aos combustíveis fósseis devem ser eliminados e as nações mais ricas devem auxiliar as menos desenvolvidas na transição desses combustíveis fósseis para fontes menos poluentes;
  • Poluentes de curta duração: é preciso reduzir as emissões de poluentes como metano, fuligem, hidrofluorcarbonetos e mais. Isso pode ajudar a reduzir a tendência de aquecimento de curto prazo em mais de 50% nas próximas décadas;
  • Cuidar da natureza: devemos proteger e restaurar os ecossistemas da Terra. Fitoplâncton, recifes de corais, florestas, pântanos, manguezais e todos os outros ecossistemas contribuem para o sequestro de carbono atmosférico. É preciso reduzir a perda de habitat e de biodiversidade, protegendo o que ainda resta do nosso planeta.
  • Comida: é preciso reduzir o consumo global de produtos de origem animal, principalmente de gado. A produção desse tipo de carne, por exemplo, tem um gasto absurdo de água e ocupa uma área cultivável muito grande;
  • Economia: a superexploração de ecossistemas e a extração excessiva de materiais devem ser reduzidas. Apesar do crescimento econômico que propiciam, é preciso adotar práticas mais sustentáveis;
  • População: é preciso estabilizar a população mundial com políticas que respeitam os direitos humanos e contribuem para a redução do impacto do crescimento populacional nas emissões de gases do efeito estufa e na perda da biodiversidade. Tais políticas consideram serviços de planejamento familiar, promovem a equidade de gênero e incluem a educação primária e secundária para todos.

Vale ressaltar que esses pontos são importantes, mas que a ação não deve se restringir a eles, é possível fazer muito mais. Podem parecer radicais, mas não impõem que todos parem de ter filhos ou de comer carne: tais sugestões visam o desenvolvimento sustentável, que envolve os âmbitos, social, econômico e ambiental. No total, o alerta foi assinado por 11.258 cientistas de 153 países diferentes. Eles são de várias áreas da ciência.

Vivendo sob uma emergência climática

cientistas alertam para emergência climática
Mesmo com uma situação de emergência climática, continuamos destruindo nosso próprio lar (Imagem: geospatialworld.net)

Você deve ter reparado que, nos últimos anos, o termo aquecimento global começou a ser substituído por mudança climática ou crise climática. Agora, um dos termos mais usados é emergência climática, que denota a gravidade da situação.

Quando uma nação decreta uma emergência climática, é como um chamado para alertar sobre a necessidade de agir para reduzir os efeitos das mudanças climáticas. Em maio, o parlamento britânico e a Irlanda decretaram estado de emergência climática. Seguindo o exemplo, a cidade sede do último acordo climático, Paris, fez o mesmo em julho.

Em contrapartida, alguns países parecem ir na contramão. Ontem (dia 4), a Revista Nature publicou uma notícia em seu site sobre o fato de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, ter iniciado o processo para sair do Acordo de Paris. A justificativa foi de que permanecer no acordo prejudica o país economicamente.

Aqui no Brasil, nos últimos meses, vimos a Amazônia pegar fogo e o óleo tomar as praias do Nordeste. Se voltarmos um pouco mais, vimos os resíduos de uma barragem destruir um rio e todo seu equilíbrio ambiental. Esses acontecimentos têm consequências graves não só para a situação climática do planeta, mas também diretamente no meio em que vivemos.

Mediante tal situação de emergência climática, é quase um clichê dizer que fazemos uma autodestruição ao não cuidar do planeta. Estamos há 40 anos “procrastinando” para começar a agir.

Ainda, não é preciso esperar que só os governantes ajam, você pode começar com algumas ações básicas, como separando seus resíduos para a reciclagem, recusando a sacola plástica no supermercado, optando por embalagens retornáveis, comprando produtos provenientes de fontes sustentáveis e outras ações. Já passou da hora de agir.

Você pode conferir o alerta na íntegra acessando o site da BioScience.

Fontes: Cnet; Independent.

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Paulo Carmino