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Jornalista do GameSpot descobre o óbvio: jogos mobile pagos são melhores

A história é a seguinte: o jornalista Kurt Indovina, do renomado site GameSpot, resolveu ficar uma semana sem jogar em nenhuma outra plataforma que não seja mobile.

A popularidade dos jogos mobile é alvo de polêmicas desde sempre.

Recentemente, os casters do canal e podcast Flow Games não entenderam por que Call of Duty Warzone Mobile faz mais sucesso que Modern Warfare 2, dentro de sua própria audiência.

Mas Kurt, já entendia disso (coisa que o Flow Games já deveria ter sacado) mas ele queria uma experiência diferente, mais “mobile”.

E por mobile, entenda mobile mesmo, games feitos e pensados exclusivamente para celular. Não entraram no experimento dele ports ou jogos que simulam ou “emulam” a experiência de ter um console portátil. Kurt se privou até mesmo de controles e acessórios. Apenas o smartphone! (no caso aqui, o iPhone).

Uma tarefa deveras indigesta.

Imagina aí, para uma pessoa que nunca teve experiência com jogos mobile, cair direto na página inicial da App Store e Google Play.

E foi o que aconteceu.

 

Veja o vídeo, em inglês, mas acredito que dê para colocar tradutor nas legendas no Youtube:

 

O problema da página inicial

Não é de hoje que as páginas iniciais da Google Play e App Store são um problema.

Focadas em oferecer apenas os jogos mais badalados e com “alto lucro”, o começo de cada loja sempre é recheada de jogos ultra casuais.

Mas podemos dar um desconto para essa estratégia. As big techs não tem parâmetros para traçar o perfil do jogador. Contudo, passado algum tempo nas lojas já era para algo ter mudado. A Google Play tem um antidoto para isso ao assinar o Game Pass. Na Apple, mesmo ao assinar o Apple Arcade eu ainda acho uma bagunça.

E há um motivo para isso.

Por mais que você não goste dos hypers casuais, eles são gratuitos e quanto mais jogos gratuitos você baixar, nem que seja para testar por 10 minutos, mais games assim as lojas vão te oferecer.

Com Kurt aconteceu o mesmo, ele caiu direto nos jogos ultra casuais com design simples e que focam em te oferecer o máximo de anúncios chatos a cada partida ou até no meio delas.

Os primeiros jogos testados

O jornalista deixou claro que conhece os jogos mobile mais badalados como PUBG, Genshin Impact, Call of Duty Mobile e etc. O foco era deixar a atenção ir para aparecesse na loja e focados na experiência mobile.

Não demorou muito para ficar ele realmente entediado. Ao apenas baixar jogos que ele jogava por alguns horas e deletava no mesmo dia, aos coisas não iam bem. O motivo, era que a maioria dos jogos barra o progresso para oferecer anúncios ou compras embutidas.

Ainda de acordo com Kurt, não tem nenhum problema nesses games, nada do que se envergonhar. Afinal, basta deletar o game.

Mas ele queria algo com uma direção de arte mais interessante, algo mais criativo, que despertasse alguma emoção, e não apenas fosse um “passa-tempo”.

 

A mudança …

Após alguns dias jogando games ultracasuais, Kurt resolveu digitar “Story” na App Store e caiu, segundo ele, em um canto bem particular da loja de aplicativos da Apple. O cantinho dos jogos “quentes” para senhorinhas (e adolescentes também).

A parte engraçada é que as partes mais “quentes” desses jogos custam dinheiro real, mas progredir sem “pegar ninguém” é completamente de graça.

Após alguns “romance novels” para mulheres (não ria) e jogos de encontrar objetos ocultos, algo bastante óbvio aconteceu. Kurt ficou entediado e pensou: a maioria dos jogos mobile gratuitos são apenas máquinas de exibir anúncios?

A melhor frase do vídeo para mim é essa: “Estou de saco cheio de coisas grátis”.

Sei que pode parecer soberba, mas a questão é a seguinte: “não existe almoço grátis”. Um jogo te dá coisas gratuitas no começo, apenas para te forçar a comprar algo, e você compra, na falsa ilusão de que vai se divertir mais.

Daí ele desistiu e resolveu pagar por alguns jogos.

Não demorou nada para ele ficar maravilhado com o mundo novo que se abriu.

Livre dos anúncios, o jornalista pode aproveitar jogos melhores e um em particular chamou muito a atenção dele: Florence!

Obs. Sim, Florence foi lançado primeiro no mobile em 2018 e apenas depois chegou a outras plataformas.

Florence realmente capturou a atenção com sua história sobre romance e vida cotidiana. Um game simples, e tocante.

 

Conclusão: Jogos pagos são um “investimento” melhor de tempo e dinheiro

Eu detesto usar esse termo, mas a conclusão que Kurt chegou é a mesma que eu cheguei lá em 2013, quando essa discussão sobre jogos free to play começou.

Para Kurt, jogos pagos são um investimento melhor de tempo e dinheiro.

Aprofundando mais a conclusão dele, ele falou que nos jogos mobile gratuitos, é como se a diversão e contentamento sempre fosse em pequenas doses. Algo pensado possa intermediar com janelas de anúncios ou compras embutidas. Uma distração, entre as suas atividades do dia a dia.

Mas Florence, segundo ele, “era a exata experiência que ele estava procurando”, “um jogo que tinha um senso de intenção para existir, com escolha de design deliberadas”.

Jogos como Florence, Bury me, my Love e Device 6 mudaram a percepção dele sobre a plataforma. São jogos que utlizam o smartphone em formas não convencionais.

Essa é uma parte que muitos vão achar bobagem, pois se você parar para pensar, a maioria dos jogos mobile que eu indico aqui são games que são a cara de jogos de console. Games que poderiam estar em um PS Vita, Nintendo 3DS ou Switch.

Geralmente não costumo dar bola para esse tipo de jogo, por estar ocupado demais dezenas de lançamentos gratuitos que saem toda smeana, e isso é algo que pretendo mudar em breve.

No final do vídeo, o jornalista do GameSpot se diz fisgado e que chegou a hora de assinar o App Arcade.

Boa ideia!

 

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Créditos: Mobile Gamer