Meio Ambiente

Imprensa internacional alerta turistas para a falta de saneamento no Rio de Janeiro

De acordo com o artigo, publicado no site Global Post, apenas 40% do esgoto da capital fluminense é tratado.

Às vésperas do início da Copa do Mundo, o Brasil está cada vez mais em foco nas câmeras da imprensa internacional. Mas, como não é apenas de futebol que vive o jornalismo, problemas estruturais e principalmente ambientais têm vindo à tona.

A repórter norte-americana Rachel Glickhouse esteve no Rio de Janeiro e, acompanhada pelo biólogo Mário Moscatelli, registrou os problemas de saneamento básico e a poluição que atinge boa parte das praias e mananciais cariocas.

De acordo com o artigo, publicado no site Global Post, apenas 40% do esgoto da capital fluminense é tratado. O restante é descartado em rios, lagoas, praias e na Baía de Guanabara, que inclusive, recebe diariamente de 80 a cem toneladas de lixo.

Moscatelli, o biólogo que acompanhou a expedição, tem monitorado a qualidade da água no Rio de Janeiro há duas décadas. Ele já viu muitas situações tristes em termos ambientais, como um pneu cheio de tartarugas marinhas mortas. Ele explica que em 20 anos muito mais de um bilhão de reais foi usado para despoluir a Guanabara, mas a degradação só piorou. “Nem nos meus piores pesadelos eu teria imaginado que as autoridades brasileiras teriam feito isso com o meio ambiente”, lamenta.

O problema de saneamento atinge todas as classes sociais. Mesmo em condomínios de luxo, o esgoto é descartado sem saneamento. Prova disso são as análises feitas pelo Instituto Estadual do Ambiental (INEA). Nas últimas dez edições, 12 locais ao longo das praias da Zona Sul do Rio, área nobre, foram consideradas impróprias para o banho.

Nas comunidades a situação é ainda pior. Rachel conversou com o líder comunitário José Martins de Oliveira, que vive na Favela da Rocinha há mais de cinquenta anos. Ele está em uma missão para conseguir saneamento básico em toda a comunidade e acabar com o esgoto que passa a céu aberto por ruas e casas.

O artigo ainda fala sobre a falta de ações políticas na periferia. “Ele [Oliveira] espera que quem ganhar a eleição presidencial em outubro invista em saneamento, em vez da construção de um teleférico que custou US$ 723 milhões. Isso seria muito mais rentável, diz ele, uma vez que reduziria as taxas de cuidados com saúde e não exigiria quase US$ 1 milhão anual destinado à manutenção de cabos no teleférico.”

No texto a repórter exalta o fato de que o saneamento básico é uma questão “invisível” para os políticos. Dificilmente obras nesse sentido são usadas para exaltar o trabalho do governo na construção de estruturas para as cidades. O projeto estadual de despoluição da Baía de Guanabara para os jogos olímpicos, por exemplo, teve orçamento reduzido de US$ 1 bilhão para US$ 51 milhões. Entre as medidas que devem ser adotadas, não está incluso a criação de sistemas de tratamento de esgoto.

Rachel ainda faz um alerta aos turistas que visitarão a cidade: “A ‘Cidade Maravilhosa’ do Brasil será palco para cerca de 400 mil turistas durante a Copa do Mundo no próximo mês. E há uma coisa que os visitantes podem ser incapazes de evitar, seja ele em seu caminho ou na praia: dejetos humanos”.

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Por Thaís Teisen – Redação CicloVivo