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Homem é preso tentando ‘se credenciar’ como assassino de aluguel em site de piadas

Na seara de notícias da categoria “sério que você fez isso, cara”, um homem que supostamente trabalhava para o governo dos EUA, tentando virar um assassino de aluguel, foi preso pelo FBI ao “enviar o currículo” para o site RentAHitman (“Alugue um assassino”, na tradução livre).

O problema (para ele): o site é uma paródia, e é um velho conhecido da comédia online estadunidense e ocasional colaborador das autoridades. E a história por trás da prisão é a mais engraçada/tosca possível…

Imagem: RentAHitman/Reprodução

Essencialmente, o homem de 21 anos, Josiah Garcia, trabalhava na Guarda Nacional em seu escritório no estado do Tennessee. Em sua lista de capacidades “trabalhistas”, ele ressaltou ser hábil com um rifle, ter uma mira de destaque e “assegurar a morte do alvo marcado”.

Ele encontrou o site enquanto navegava pela internet, buscando formas de criar uma renda extra: ele alegou precisar de US$ 5 mil (R$ 24,86 mil) para custear despesas relacionadas à gravidez de sua namorada, que estaria perto de dar a luz a um menino.

O site RentAHitman começou como um projeto pessoal do administrador de empresas Bob Innes, em 2005. A ideia era criar uma página que denunciasse falhas de segurança oriundas de navegação na internet. Segundo ele, no entanto, “isso não deu em nada” e ele rapidamente mudou para um site de paródias.

Conforme o site cresceu, Innes criou uma persona cômica para responder como CEO da plataforma – “Guido Fanelli”, porque nada grita “preciso de um matador de aluguel” mais do que um nome que remeta à máfia italiana, capisce? – e uma seção “Carreiras” para receber currículos de pretensos mercenários e, rapidamente, isso virou uma espécie de parceria não oficial para denúncias às autoridades.

Devidamente contextualizado, no dia 16 de fevereiro, o site recebeu um currículo e um “formulário de interesse” de Garcia, direcionado ao falso CEO “Fanelli”, listando suas habilidades militares. Inicialmente ignorado, Garcia continuou perseguindo o personagem pelos dois ou três dias seguintes, afirmando por meio do “serviço de atendimento” do site que estava passando por dificuldades técnicas com a plataforma, mas que queria muito, muito mesmo trabalhar com eles – lembrando que “trabalhar”, neste caso, era “atirar e matar alguém que o site apontasse”.

No dia 17, Garcia chegou a informar o seu próprio endereço residencial e, no dia 18, Innes, vendo que o homem falava sério em suas intenções, decidiu “convencê-lo” a enviar fotos de si mesmo, junto de um currículo atualizado que refletisse suas ações militares e também fotos da sua carteira de habilitação. Garcia atendeu ao pedido, ressaltando que ele vinha servindo a guarda nacional, na divisão de proteção do espaço aéreo, e foi condecorado como “atirador de elite” por “nunca ter errado um único disparo em todos os alvos designados e por atirar como um expert em duas (ou mais) armas”. Palavras dele, não nossas.

Garcia ainda embelezou o currículo, afirmando que seus feitos no serviço lhe conferiram um apelido: “The Reaper” (a tradução faz alusão ao “Ceifador da Morte”, a figura que leva as almas das pessoas cuja hora de morrerem chegou). Ao Washington Post, o FBI não confirmou se Garcia falou a verdade sobre seu histórico.

Essas idas e vindas da conversa progrediram alguns dias, até que um silêncio de quase um mês foi quebrado por Garcia em março, onde ele pedia por atualizações de seu pedido e que gostaria muito de viabilizar uma entrevista em caráter presencial. Innes, sob orientação do FBI, usou a persona de Guido Fanelli e disse que um “coordenador de agentes de campo” entraria em contato e marcaria um encontro.

Obviamente, o “coordenador” era um agente do FBI, que ligou para o candidato para confirmar informações: Garcia disse que nunca esteve envolvido com nenhum tipo de autoridade da lei salvo a guarda nacional, mas ele só atuava no órgão aos finais de semana e, fora isso, estava desempregado, trabalhando em “bicos” – daí a necessidade do dinheiro.

Garcia ainda informou ao agente que, “caso o cliente precisasse”, poderia coletar “troféus” de seus assassinatos, “como um dedo ou uma orelha” que pudessem servir como provas do cumprimento do serviço.

Avançando a linha do tempo até 6 de abril, Garcia e o agente se encontraram em um restaurante, onde o agente ofereceu ao homem a chance de desistir da ideia, dizendo que ele não precisava “entrar nesse mundo” e que poderia “sair andando se assim quisesse”, reafirmando que o candidato tinha diploma universitário e trabalhava em algo próximo do exército – em outras palavras, Garcia tinha para onde correr caso precisasse de opções de trabalho.

Garcia manteve-se irredutível e, questionado se estaria confortável em “matar 50 pessoas”, ele ainda teria afirmado que esse é um número “de um iniciante se comparado aos do ‘Ceifeiro’”. No domingo seguinte, os dois se reencontraram, com o agente informando que um trabalho estava disponível – o marido abusivo de uma cliente seria a “marca”. Ao receber as “fotos do alvo” e metade dos cinco mil dólares em dinheiro no ato, agentes do FBI avançaram e prenderam o pretenso assassino de aluguel antes que ele pudesse começar a sua carreira.

Garcia, uma vez preso, disse que teria se encontrado com o agente no parque para desistir do trabalho pois teria “mudado de ideia”. Entretanto, em operações onde agentes disfarçados estão envolvidos, a troca de mãos do dinheiro ou de outras mercadorias é legalmente entendida como o “aceite” para se cometer um crime.

Os registros oficiais, segundo


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