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Galaxy Z Flip: Testes de resistência são sensacionalistas e desconsideram a construção do aparelho

Escrito por Paulo Carmino

Foto: Engadget

A Samsung anunciou recentemente o seu novo smartphone dobrável, o Galaxy Z Flip, uma resposta clara ao novo Motorola Razr, modelo de mesma categoria da fabricante norte-americana.

Com esse lançamento, a internet vem acompanhando o crescimento de vídeos de testes de durabilidade e resistência sendo realizados com esse aparelho.

Nós vimos grande parte deles e decidimos escrever uma análise sobre uma parte destes testes e detectamos que muitos deles tem carácter sensacionalista e difere de condições técnicas recomendadas para o modelo Galaxy Z Flip.

Contudo, a reputação do aparelho vem sofrendo com a falta de informação, sobretudo da construção do aparelho, o que provoca danos ao dispositivo.

Galaxy Z Flip e o seu sistema “abre e fecha”

Um dos maiores segredos de construção desses aparelhos como o Galaxy Z Flip e Motorola Razr, é em relação às hastes dos smartphones.

Para que a tela permaneça sem danos, essas hastes são extremamente precisas em relação ao ângulo de abertura do dispositivo. Com isso, é preciso que elas estejam rigorosamente sincronizadas, em mesmo ângulo e ao mesmo tempo, para que a tela não sofra danos.

Em outras palavras, quando um usuário abre o Galaxy Z Flip, a abertura tem que ser ao mesmo tempo e no mesmo ângulo nas duas extremidades, que são as duas dobradiças do aparelho. Caso haja alguma imperfeição nessa abertura, como uma dobradiça à frente da outra, muito provavelmente isso vai comprometer a tela do aparelho.

Testes de resistência ignoram o sistema de dobradiças

Como foi explicado acima, esse sistema de hastes é preciso e trabalha normalmente no abrir e fechar provocado pelo usuário, mas muitos testes de resistência estão ignorando as condições a qual isso deve ser feito. Há casos em que se utiliza uma máquina que abre e fecha o aparelho diversas vezes, automaticamente.

Porém, ignora completamente as questões físicas em que o aparelho opera normalmente. Por exemplo, não há nenhuma medição extremamente precisa para identificar qual o ponto ideal em que há uma sincronia perfeita com as dobradiças do aparelho e muito menos a força conivente com uma utilizada por um usuário comum para abrir e fechar o aparelho.

Tudo isso é considerado em testes realizados por fabricantes.

Em outro exemplo, há a aplicação de adesivo na tela e, ao fechar e abrir, obviamente causará imperfeições que, por ser sensível sensível, não foi desenvolvida para ser utilizada com adesivos e películas.

Alguns testes estão sendo sensacionalistas por que divergem da real intenção de uso do usuário

Nós concluímos que grande parte dos testes relacionados à resistência do Galaxy Z Flip são extremamente sensacionalistas, por que divergem do uso padrão do usuário.

Em primeiro plano, nenhum consumidor vai comprar o aparelho para colar adesivos em sua tela, ou ficar abrindo e fechando desesperadamente.

Em segundo plano, os testes de resistência e durabilidade devem ser justos e necessários e devem levar em consideração a aptidão técnica dos aparelhos.

Um exemplo são os testes de queda e resistência de telas em smartphones comuns. É do interesse do usuário saber se o seu dispositivo deve resistir em situações que podem acontecer com qualquer modelo.

Por outro lado, quando se tem uma tecnologia nova como a tela flexível, não dá considerar testes que pegam uma caneta ou algo do tipo e riscam a tela para verificar sua durabilidade.

As OEM’s já relataram que essas telas são sensíveis. Não há a presença de tecnologias como o Gorilla Glass e, portanto, são sim facilmente passíveis de arranhões e quebras por interferências do tipo.

Embora sensacionalistas, esses testes também são importantes

Não seria justo dizer que esses testes, mesmo sensacionalistas, não seriam importantes. Pelo contrário.

A tecnologia de telas flexíveis é nova e é importante saber o quão sensíveis e diferentes elas podem ser quanto ao uso exagerado. Porém, o usuário deve sempre estar atento sobre o quanto esses testes são importantes para compreender o seu uso e o quanto eles são feitos apenas para surpreender e causar má impressão.

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Paulo Carmino