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Feminista militante se oferece para trabalhar em Cyberpunk 2077

Escrito por Paulo Carmino

Considerado um dos destaques da última E3 e desde sempre um dos jogos mais ansiosamente aguardados pelos gamers, Cyberpunk 2077 corre o risco de ser execrado “por toda a internet”, caso não resolva alguns problemas identificados pela militante feminista Anita Sarkeesian.

Em uma mensagem direcionada à CD Projekt Red publicada no Twitter, Sarkeesian ofereceu seus préstimos para salvar Cyberpunk 2077 do racismo/homofobia/transfobia e outros possíveis pecados, antes que seja tarde demais.

“Ei, @CDPROJEKTRED, estou sempre disponível para consultoria, porque parece que vocês vão precisar antes que toda a internet te arraste para o que soa como uma representação potencialmente sexista… com a qual todos nós sabemos que vocês tiveram problemas no passado”, escreveu ela.

As últimas tretas envolvendo a produtora polonesa e aqueles que militam por justiça social e questões gênero na internet surgiram na semana passada, durante a E3. A primeira foi a identificação de um cartaz no cenário do jogo que mostra o que parece ser um transexual com um enorme pênis sob um maiô, promovendo uma bebida que envolve uma mistura de sabores. A imagem e o slogan da propaganda, “misture”, seria uma analogia de mau gosto aos transexuais.

A segunda foi uma identificação de racismo no nome de uma gangue do jogo, chamada “Animals” (animais), que teria entre seus membros alguns personagens negros. O jogador usaria de violência contra os membros desta gangue, algo que incomodou algumas pessoas.

O rigoroso crivo dos justiceiros sociais da internet também havia detectado uma ofensa grave da CD Projekt Red em uma antiga mensagem no Twitter, quando a conta oficial da produtora brincou com a frase: “did you just assume their gender?”, algo como “você supôs o gênero?”, em resposta a alguém que falava sobre personagens masculinos no jogo. A frase é frequentemente usada para ridicularizar aqueles que consideram um erro supor o gênero de alguém, sem antes saber com qual a pessoa se identifica.

“Obviamente, estamos prestando muita atenção à representação de diferentes grupos respeitosamente. Você sabe, sempre há um risco”, comentou o diretor de Cyberpubk 2077, Mateusz Tomaszkiewicz. “Claro que temos na parte de trás de nossas cabeças que precisamos ter cuidado com isso. Estamos contatando diferentes consultores para aprender sobre grupos específicos, e nossa empresa tem uma variedade de pessoas com crenças diferentes. Quanto aos The Animals, se você jogar o jogo verá que eles não são na maioria pessoas negras, é misturado”, concluiu.

Com menos papas na língua, Mike Pondsmith, autor do RPG de papel e caneta Cyberpunk 2020, no qual o jogo se baseia, disse estar cansado de ouvir críticas dos defensores das minorias na internet. Curiosamente, Pondsmith é negro.

“Quero dizer isso apenas uma vez. Eu estou realmente cansado de pessoas bem-intencionadas em fóruns de bate-papo na internet me dizendo paternalisticamente com o que eu, como negro, deveria me sentir ofendido”, disse o autor. “Você quer ser meu aliado? Vá cingir seus lombos e no jantar de Ação de Graças deste ano, tenha a coragem de dizer ao seu tio racista para calar a boca pra variar”.

“Quanto aos animais – o PONTO PRINCIPAL é que eles se consideram PODEROSOS, PERIGOSOS, ANIMAIS SELVAGENS. Você haveria de pensar que uma Senhora chamada ‘Sasquatch’ (pé-grande) teria dado a eles uma pista”.

Paradoxalmente, pelo menos para os críticos, o futuro apresentado por Cyberpunk 2077 está longe de ser um lugar perfeito, com sol e arco-íris, habitado por pessoas felizes e sensíveis. O futuro de 2077 é distópico, violento, controlado pelas empresas, com temas predominantes sobre política, cultura, divisão social e censura permeando a história. O objetivo do material original é ser provocativo e desconfortável, o que parece não combinar muito com o gosto e a agenda política de Anita Sarkeesian.

Cyberpunk 2077 está previsto para sair no dia 16 de abril de 2020.



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Paulo Carmino