Geek

Famoso pelo realismo, jogo de guerra é criticado por não ter mulheres

Escrito por Paulo Carmino

Lançado há quatro anos, mas até agora em versão beta, o jogo de guerra Escape From Tarkov se tornou um fenômeno de popularidade repentino no Twitch e hoje é o terceiro título mais assistido na plataforma de streaming. Mas a descoberta do jogo pelo público está tendo pelo menos uma consequência indesejada para seus produtores, o pequeno estúdio Battlestate Games, que agora é criticado por ter esquecido da representação feminina na guerra.

Escape From Tarkov é um jogo de tiro realista, feito por russos, do tipo que apresenta armas que podem engasgar e super-aquecer. Visualmente, o jogo também se destaca pela ambientação tensa e riqueza de detalhes que tornam a experiência mais imersiva e, ao que parece, interessante de assistir pelo Twitch.

Até bem recentemente, Escape From Tarkov era jogado apenas por uma parcela pequena do público “hardcore” dos jogos de guerra, mas a situação mudou quando os produtores resolveram estimular as transmissões de gameplay pelo Twitch oferecendo, entre os dias 30 de dezembro e 5 de janeiro, “loot” extra a quem assistisse às sessões. De repente, Escape From Tarkov foi descoberto por um público maior e caiu no escrutínio de militantes de causas sociais, que de cara se perguntaram: “cadê a representação feminina na guerra?”

Uma investigação sobre os motivos de não haver mulheres em Escape From Tarkov levou os queixosos a uma antiga entrevista com o produtor Pavel Dyatlov, na qual ele revela ter concluído que mulheres e guerra não combinam, e elas não são aptas a lidar com o estresse do campo de batalha.

“Consideramos isso, mas chegamos à conclusão de que as mulheres não podem estar na guerra”, disse o produtor à WCCTech em 2016. “Chegamos à conclusão de que as mulheres não conseguem lidar com essa quantidade de estresse. Só há lugar para homens endurecidos neste ambiente”.

A descoberta desta declaração atiçou o público feminista no Twitter, que cobrou uma nova posição dos desenvolvedores russos. Em uma nova declaração oficial fornecida pela Battlestate Games agora, eles alegaram que o produtor foi mal interpretado em suas declarações de 2016 e disseram que as mulheres só não foram incluídas no jogo por causa de falta de recursos.

“Em relação ao artigo de 3 anos com pontos sobre mulheres em EFT, as respostas foram dadas por alguém que não é um funcionário-chave da BSG e que provavelmente foi mal interpretado e, como resultado, não refletia a posição oficial da empresa, de que sempre respeitamos as mulheres em guerras e mulheres militares”, publicou o estúdio em sua conta oficial no Twitter. “O funcionário foi repreendido e devidamente instruído. Lamentamos a confusão causada #EscapefromTarkov”.

Agora, oficialmente, a Battlestate Games alega que incluir mulheres em EFT significaria criar novas animações e modelos 3D, um luxo que um estúdio pequeno não pode se permitir neste momento.

“Primeiro – já existem mulheres em EFT (trader e algumas futuras missões principais da história terão mulheres como personagens principais). Mas não haverá personagens femininas jogáveis por causa da história do jogo e, mais importante – a enorme quantidade de trabalho necessário com animações, acessórios etc.”

A explicação não convenceu os descontentes, que apontaram o dedo para detalhes menores que foram priorizados no jogo, como a barba que cresce nos soldados quando os jogadores estão ativos por muito tempo.

Resta saber até quanto Escape From Tarkov poderá ficar imune às novas exigências de inclusão de gênero feitas por parte do público.



Sobre o Autor

Paulo Carmino