Tecnologia

Entenda a maior atualização de criptomoedas já feita

Na madrugada desta quinta-feira (15), a rede da Ethereum, segunda maior criptomoeda em termos de valor de mercado, concluiu o “Merge”, uma atualização que é a maior já vista no mundo dos criptoativos – mudando as regras de mineração do ativo e também reduzindo o impacto ecológico da atividade. Explicamos tudo a seguir.

O que é o Merge do Ethereum

Merge do ethereum: entenda a maior atualização de criptomoedas já feita. O merge do ethereum foi implementado na madrugada de 15 de setembro, prometendo menos impactos ambientais para a criptomoeda
O funcionamento da rede do Ethereum sofrerá alterações com o Merge. (Imagem: GuerrilhaBuzz Crypto PR/Unsplash)

O Merge do Ethereum é o termo utilizado para descrever a atualização da rede da criptomoeda que modifica o seu modelo de funcionamento de Proof-of-Work  (prova de trabalho) para Proof-of-Stake (Prova de participação)

Essa mudança altera o sistema tradicional de mineração de criptomoedas, popularizado pelo Bitcoin, principal criptomoeda do mercado, e que envolve a utilização de equipamentos potentes para encontrar blocos na blockchain e gerar, como recompensa, os ativos digitais – o que, por consequência, apresenta um grande gasto de energia elétrica.

Agora, no sistema de Proof-of-Stake do Ethereum, a lógica de obter criptomoedas é diferente. Os interessados em obter ativos digitais nesse sistema deverão usar seus computadores para reter pelo menos 32 ETH durante um período de tempo, para proteção de transações e auxiliar em suas confirmações na blockchain – com isso, como menos poder de processamento do computador é utilizado neste processo, o consumo de energia elétrica cai.

A atualização é chamada de Merge (fusão, em tradução livre), pelo motivo que a mudança foi realizada através da junção da rede original do Ethereum com a camada de consenso Beacon Chain, que desde 2020 era executada de forma paralela e já utilizada o sistema Proof-of-Stake.

O impacto ambiental da atualização é grande?

Merge do ethereum: entenda a maior atualização de criptomoedas já feita. O merge do ethereum foi implementado na madrugada de 15 de setembro, prometendo menos impactos ambientais para a criptomoeda
O impacto do Merge do Ethereum pode ser notável. (Imagem: Kanchara/Unsplash)

Uma pergunta que pode surgir sobre o Merge do Ethereum é se, realmente, a diferença no impacto ambiental de um protocolo Proof-of-Stake é tão grande em relação ao Proof-of-Work

Para os desenvolvedores do Ethereum, a migração para o novo modelo poderá reduzir em 99,9% o gasto de energia da rede, já que com a mineração não sendo mais a forma principal de obtenção de criptoativos, computadores mais poderosos não ficarão ligados utilizando todo seu poder de processamento.

Alguns pesquisadores especializados em criptomoedas, como Justin Drake, afirma também que a atualização terá como consequência uma redução de 0,2% do consumo de energia mundial – sim, é isso mesmo, do mundo inteiro. Para fins de comparação, o Bitcoin, segundo estimativas, gasta 0,5% da eletricidade mundial com sua mineração.

O impacto no valor do Ethereum

Merge do ethereum: entenda a maior atualização de criptomoedas já feita. O merge do ethereum foi implementado na madrugada de 15 de setembro, prometendo menos impactos ambientais para a criptomoeda
O Ethereum está em queda desde a implementação inicial do Merge. (Imagem: Reprodução/CoinMarketCap)

Com o Merge e a mudança na mineração, ocorrerá uma menor emissão de Ethereum, e considerando que parte do processo de negociação de criptomoedas exige o burn (queimada) de criptoativos, que ficam indisponíveis no mercado, espera-se que como resultado da atualização o Ethereum tenha um aumento de valor.

Porém, essa mudança deve ocorrer a longo prazo, já que nesse primeiro momento, poucas horas após a implementação da atualização, o valor do Ethereum está em queda, perdendo 0,8% do valor registrado antes do Merge.

Além disso, especialistas temem uma queda ainda maior pelos próximos dias, com portadores de Ethereum vendendo parte de suas moedas transferidas para carteiras digitais de corretoras pouco antes da atualização – estima-se que cerca de US$ 1,2 bilhão de ativos digitais tenham sido movimentados na madrugada, e caso eles sejam vendidos o impacto pode ser forte.

De qualquer forma, pelo menos neste primeiro momento, com menos de 24h da transição, ainda é cedo para afirmar qualquer coisa – com os resultados reais só podendo ser analisados com alguma distância do ocorrido, no futuro.

Por fim, é importante frisar que a mineração, independente de seu impacto ambiental, é visto por muitas pessoas como um mercado lucrativo – o que está causando insatisfação em diversos setores relacionados a criptomoedas e que já pensam em criar alternativas ao Ethereum que ainda utilizam o protocolo de Proof-of-Work, principalmente considerando que toda a rede do ativo digital é open-source, ou seja, seu código é público.

Um desses exemplos é o EthereumPOW, uma rede derivada do Ethereum oficial criado por desenvolvedores chineses, cujo objetivo é manter o protocolo funcional de mineração vivo. Ele tem lançamento previsto para até 24 horas depois da implementação do Merge, embora até a publicação dessa matéria, na manhã da quinta-feira (15), sua disponibilização ainda não havia ocorrido, com o Twitter oficial postando atualizações constantes. 

Com tudo isso, a atualização do ETH é realmente um momento histórico para as criptomoedas. Não podemos ainda afirmar como o cenário se comportará nos próximos meses, mas é inegável que os olhos do mercado estão de olho em qualquer mudança, seja ela positiva ou negativa, que a situação possa causar — mas por hora, só é possível observar as mudanças iniciais, sem nenhuma movimentação neste primeiro momento.

Veja também:

Quanto custa 1 Bitcoin?

Fonte: InfoMoney, InvestNews, Portal do Bitcoin, The Verge, CoinMarketCap