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Empresa italiana utiliza resíduos orgânicos na produção de papel

São usados: milho, laranja, oliva, kiwi, amêndoa, avelã e café em grão.

A empresa italiana Favini criou um tipo de papel que preserva 15% da polpa de árvores. Ele é produzido com materiais orgânicos que são obtidos a partir de milho, laranja, oliva, kiwi, amêndoa, avelã e café em grão.

Em seu site, a empresa explica que já havia criado um papel vegetal com algas, sem a utilização de árvores. Foi após o desenvolvimento da Shiro Alga Carta, que a Favini teve a ideia de criar um tipo orgânico batizado de Crush.

A equipe da empresa levou 18 meses para desenvolver, testar, produzir e patentear a invenção. De acordo com a Análise do Ciclo (LCA), uma consultora independente e credenciada contratada pela Favini, o papel Crush tem uma pegada de carbono 20% menor do que o de um papel convencional.

O processo de produção também inclui lixo reciclado, que corresponde a 30% do composto final, de acordo com o Pegn. Tudo é realizado em Rossano Veneto, próximo a Veneza. “Em uma época de crescente escassez, o uso de resíduos orgânicos alivia a pressão sobre os recursos florestais”, afirma a Favini.

O papel orgânico pode ser utilizado para fazer cartões, livros, embalagens, entre outros impressos. Além disso, o cliente tem a possibilidade de personalizar o material. A empresa pode fabricar um papel com a cor, gramatura, tamanho e acabamento de superfície que o consumidor desejar. Além de moldar outras características de acordo com a necessidade.

A principal vantagem de aproveitar insumos orgânicos é que o processo de reposição é mais simples do que o reflorestamento. Segundo a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), 100% da produção de celulose e papel no Brasil é originária das florestas plantadas de eucalipto e pinus. As árvores são cultivadas especificamente para fins industriais e o ciclo de plantio e corte é contínuo. Ainda assim, há o problema de dióxido de carbono que é liberado na atmosfera na fabricação de papel e a quantidade de água utilizada – 540 litros para produzir um quilo de papel.

Marcia Sousa – Redação CicloVivo