Tecnologia

Embracer demite ‘porção considerável’ de funcionários de estúdio de Borderlands

Em mais uma rodada de demissões, o grupo Embracer promoveu um novo corte de funcionários, desta vez reduzindo o time do estúdio Lost Boys, conhecido pelo seu suporte técnico ao Gearbox Software, responsável pela franquia Borderlands, entre outras.

Apesar de o número exato de demitidos ainda não ter sido divulgado, o ex-produtor do estúdio, Jared Pace, disse em seu perfil no LinkedIn (verificado via Aftermath) que o corte é de uma “porção considerável” de pessoas – incluindo ele próprio.

Embracer Group

Imagem: Embracer Group

A relação parece ser meio complicada, mas na verdade é bem simples de se entender: em 2021, o grupo Embracer comprou o Gearbox Software, preferindo manter a marca viva como subsidiária e permitindo que ela mantivesse ativos, propriedades intelectuais e finanças próprias.

Isso permitiu ao Gearbox comprar o Lost Boys em 2022. Com o investimento dessa relação, houve um aumento no volume de funcionários nas três empresas, em torno de 400 novos colaboradores.

Colaboradores estes que, agora, passam pela rodada de demissões, cortesia do plano de reestruturação que o Embracer anunciou em 2023 e, conforme você já viu aqui (e aqui, e aqui também), vem enxugando fortemente o volume de capital humano da empresa.

O Lost Boys foi originalmente fundado em 2017, sendo conhecido por títulos menores, mas com relativa expressão, como Tiny Tina’s Wonderlands e The Quiet Man. Seu papel como suporte técnico de um estúdio de desenvolvedores, no entanto, o viu trabalhar também em vários aspectos de Diablo IV.

“Foi um período fantástico, cheio de desafios e belíssimas amizades. Se você ver qualquer ex-funcionário do Lost Boys procurando emprego após as demissões, contratem-nos imediatamente. Eles são o maior grupo de artistas com os quais eu já trabalhei.” – Spicer McElroy, ex diretor de arte do Lost Boys

Mas por que o Embracer tem tantas demissões?

De todas as empresas que promoveram rodadas de demissões em 2023, o Grupo Embracer não é o maior, mas certamente é um dos casos mais emblemáticos: no primeiro semestre de 2023, o grupo estava apostando alto em um investimento vindo de um conglomerado saudita de mídia.

O investimento, que estava avaliado na esfera de US$ 2 bilhões (R$ 9,73 bilhões), acabou não se concretizando e os sauditas deixaram o Embracer sem muitas opções. O resultado disso: cortes extensos nos muitos e muitos estúdios subsidiários do grupo, acarretando não só o corte de alguns funcionários, como, em alguns casos, fechamentos de empresas inteiras (vide o “Caso Onoma”).

Tudo isso serve de indício de que a instabilidade trabalhista do mercado de jogos que assolou 2023 ainda segue seu curso neste início de 2024.


Créditos: TecMasters