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Em crise, E3 quer pagar influenciadores e mudar foco para o público

Escrito por Paulo Carmino

A organizadora da E3 pretende mudar o foco do evento para o próximo ano, em uma tentativa de se manter relevante após a debandada de grandes empresas e parceiras do mercado de games, como a Sony e a Activision, que trocaram a feira por eventos próprios em 2019.

Os planos da ESA (Entertainment Software Association) para a E3 2020 foram divulgadas em uma apresentação para membros e vazaram na internet. Eles incluem transformar a E3 em um festival no qual influenciadores e mídia serão pagos, tornando assim possível “controlar o conteúdo e a mensagem” do evento.

A E3 2019 sofreu com perdas notáveis ​​e que indicam uma tendência clara para o futuro. A Sony, por exemplo, ignorou completamente o evento em 2019 e começou a fazer apresentações ao longo do ano pela internet, o que significa custos muito menores, maior alcance de público e destaque para a marca, além de menos pressão para apressar anúncios com o intuito de “roubar o show”. A EA, Ubisoft e Bethesda realizaram suas próprias conferências externas antes do início da E3, enquanto a Activision organizou eventos em um hotel e não apareceu no salão da feira em 2019.

A ESA agora parece ter respondido a esses problemas com novas estratégias para renomear a E3 como um “festival para fãs, mídia e influenciadores”, algo similar ao formato de sucesso de eventos como a Comic Con e a Brasil Game Show.

Os planos revelados aos membros da entidade e vazados na internet mencionam parcerias pagas com influenciadores, mídia e celebridades, o que resultaria em uma grande mudança na imagem da E3, que até agora era um evento voltado mais a profissionais do ramo, incluindo aí a própria mídia.

A apresentação da ESA menciona dois exemplos dessas aparições de celebridades, como um campeão da NBA jogando videogame de basquete ou atores de filmes competindo em um torneio. Estes eventos aconteceriam em torno de oito “centros de experiência” intercalados entre os estandes dos expositores, e os membros da ESA aprovaram a nova planta. Outros 10.000 crachás de jogadores participantes serão liberados pela ESA, o que aumentaria o número total de participantes de eventos para 25.000. Para o público visitante da feira, os longos tempos de espera para experimentar as demos seria amenizado com uma estratégia de “entretenimento de fila” que exibirá anúncios do expositor e, ao mesmo tempo, fornecerá dados do consumidor a esses expositores através de um novo aplicativo. Também haverá “apresentações exclusivas/somente com hora marcada para participantes selecionados que visam criar buzz e FOMO (medo de perder uma novidade)”.

Slides intitulados “O poder do bem social” detalha como a ESA pretende tirar proveito das personalidades altruístas da geração millennial e da geração Z. “Ao ampliar a marca de bem social da E3, podemos avançar a marca na indústria com consumidores enquanto armazenam dicas positivas para uso futuro”, explica um dos slides sobre a ideia de usar influenciadores com senso de justiça social e ostentadores de virtudes para fortalecer a marca da E3.

Os planos da ESA ainda não são formalizados, mas mostram as intenções de salvar a E3 da quase certa irrelevância nos próximos anos.

Até hoje a E3 é um evento restrito a membros do mercado de games, incluindo imprensa, produtoras e editoras. Já eventos como a Brasil Game Show, Gamescom e Comic Con vendem ingressos ao público e fazem sucesso com a oportunidade de aproximar fãs a personalidades do mercado. Por esta razão, a E3 ainda tem um número pequeno de visitantes se comparado a outros eventos, como mostra o ranking abaixo.



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Paulo Carmino