Meio Ambiente

Desmatamento na Amazônia Legal cai, mas ONG alerta para deslocamento de crime ambiental

Entre o período de agosto de 2011 a julho de 2012 foram desmatados 656 quilômetros quadrados – a menor taxa registrada desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou este trabalho, em 1988.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) anunciou na última terça-feira (27) os dados do Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal(Prodes), que mede o desmatamento da Amazônia, parao período de agosto de 2011 a julho de 2012.

Foram desmatados neste período 4.656 quilômetros quadrados – a menor taxa registrada desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou este trabalho, em 1988. O número indica uma redução de 27% em relação aos dados registrados entre agosto de 2010 e julho de 2011.

Esses resultados confirmam a tese de queda dos números do desmatamento, verificada desde 2005. A meta do governo federal é que o índice de desmatamento anual da Amazônia continue caindo até atingir 3.925 quilômetros quadrados em 2020 – uma redução de 80% em relação àquilo que foi registrado em 2005.

O superintendente de conservação do WWF-Brasil, Mauro Armelin, afirmou que os resultados divulgados são bons, porém é nítida a ocorrência de infrações em novas áreas, o que é preocupante, pois indica que além de estarem desmatando em áreas de menor metragem a fim de driblar a fiscalização, novas frentes estão sendo abertas, apontando o deslocamento dos criminosos ambientais. “Essa constatação de desobediência à legislação ambiental exige uma resposta rápida e eficaz do governo federal e o cumprimento à risca da lei, sob pena de as metas voluntárias para redução das emissões de gases de efeito estufa até 2020 não serem cumpridas”, disse Armelin.

Tendência de redução

O Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes) é operacionalizado pelo Inpe e registracomo desmatamento o chamado “corte raso”, que é a remoção completa da cobertura florestal, quando ele ocorre em áreas com tamanho maior que 6,25 hectares. Os dados divulgados hoje foram obtidos por meio de satélites, durante o monitoramento de 43 municípios amazônicos considerados prioritários no combate ao desmatamento.

O Estado que mais desmatou foi o Pará, com 1.699 quilômetros quadrados de desflorestamento. O Amapá registrou o menor índice – apenas 31 quilômetros quadrados desmatados.

Dos nove estados amazônicos – Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Tocantins, Roraima, Rondônia, Mato Grosso e Maranhão –apenas três apresentaram aumento nas taxas de desmatamento: Tocantins (aumento de 33%), Amazonas (de 29%) e Acre (incremento de 10%).

Agosto, setembro e outubro

Embora os dados desta terça-feira tenham sido anunciados de forma positiva, é importante lembrar que informações recentes do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) – que realiza um monitoramento autônomo do desmatamento, por meio do Boletim do Desmatamento (SAD) –mostram que o desmatamento amazônico teve um aumento a partir de agosto de 2012 – e os números do Prodes divulgados nesta terça-feira vão apenas até julho de 2012.

Para o Imazon, o desmatamento apresentou taxas crescentes em agosto, setembro e outubro. Neste ultimo mês, o desmatamento chegou a preocupantes 377% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo relatório divulgado pela instituição há quase duas semanas.

O Deter, sistema de alerta de desmatamentos também gerenciado pelo Inpe, que traz os números considerados “oficiais” pelo governo, apontou um aumento de 220% no desmatamento em agosto, também fora do período divulgado hoje pelo governo. Foram 522 quilômetros quadrados de desmatamento em agosto de 2012, contra 163 quilômetros quadrados desmatados em agosto de 2011. Os números do Deter de setembro e outubro ainda não foram divulgados.

Jorge Dantas Oliveira, WWF