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Como são os resgates dos principais investimentos em renda fixa

No momento de escolher quais aplicações são as mais interessantes, é bastante comum ficar confuso: são diversas informações, detalhes, regras e outras particularidades que, na prática, podem trazer muita diferença na rentabilidade e no bolso e, por consequência, podem modificar a forma com que se enxerga os investimentos.

Por isso, o ideal é pesquisar sobre o assunto antes de definir uma boa carteira. Afinal, toda aplicação é indicada para um determinado público, com objetivos particulares, então não existe uma que seja perfeita em qualquer momento. Estudar sobre o mercado financeiro, nesse sentido, pode ajudar a ter bons retornos e, claro, uma experiência não traumática.

Para investidores menos experientes, em específico, são recomendados os ativos de renda fixa, pois possuem rentabilidade previsível e, por isso, são mais fáceis de se trabalhar — os ativos de renda variável são, como o nome pressupõe, mais voláteis e exigem um nível de conhecimento técnico maior.

Mas o que são investimentos de renda fixa?

Esse tipo de investimento possui taxas fixas que calculam a rentabilidade obtida na data de vencimento de cada título, que pode ser prefixado, pós-fixado ou híbrido. Ou seja, para o primeiro, os rendimentos são calculados por meio de uma porcentagem (11% ao ano); para o segundo, é utilizado um índice de base (110% do CDI); já o terceiro utiliza uma mistura pré e pós-fixada.

Os títulos da renda fixa podem ser públicos ou privados e estão relacionados à concessão de crédito para financiar projetos de setores específicos da economia. Por exemplo, a Letra de Crédito Imobiliário (LCI) é utilizada para financiamento do setor de imóveis e o Tesouro Direto é um título que ajuda projetos relacionados ao Governo Federal.

Na prática, empresta-se dinheiro para instituições financeiras e, na data do vencimento, elas devolvem o mesmo valor acrescido de juros — essa taxa nada mais é do que a rentabilidade dos títulos. No entanto, os investimentos em renda fixa possuem algumas condições para resgates antes do prazo, que podem trazer surpresas a quem não conhece os detalhes das aplicações.

Como é o funcionamento da renda fixa?

Diferente do que ocorre nos bancos convencionais, os bancos de investimentos ou corretoras possuem horários diferentes de atendimento e algumas regras definidas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), para garantir o pleno funcionamento do mercado financeiro.

Por essa razão, investidores menos experientes podem ficar frustrados quando necessitam utilizar o valor dos investimentos para emergências e não conseguem o resgate imediato, como ocorre com a poupança, por exemplo. Isso porque nem toda aplicação possui liquidez diária.

Liquidez é a velocidade com que determinado ativo se transforma em dinheiro numa conta convencional para ser usado no dia a dia. Para investimentos com a marcação D+1 ou D+2 significa que serão necessários, respectivamente, um ou dois dias de espera para que o valor caia de volta na sua conta — por isso, o planejamento financeiro é essencial.

Outro fator importante é conhecer o período de atividades do mercado, que varia dependendo do ativo; afinal, ninguém quer correr o risco de “perder” um dia de operações. É possível haver aplicações com resgate até às 15h ou até o meio-dia e é essencial estar sempre atento a essas informações, pois podem ser fatores que determinam se um título é adequado ao investidor.

Fundos de investimentos

As atividades dos fundos de investimentos variam de acordo com a lâmina, desde o meio-dia até o fim do dia; eles, no entanto, sempre estão disponíveis na plataforma da corretora. Assim como nos bancos convencionais, resgates e aplicações pedidos até o horário limite, em dia útil, são feitos no mesmo dia e, após esse horário, são processados no dia útil seguinte.

Para os fundos, ainda existe o que chamamos de processo de cotização — lembre-se de que o investimentos em fundos é feito por cotas —, que é o tempo necessário para transformar dinheiro em cotas (nos pedidos de aplicação) ou vice-versa (nos pedidos de resgate). A liquidez desses ativos é contada no momento em que a cotização é realizada.

Tesouro Direto

A negociação dos títulos do Tesouro Direto é feita apenas em dias úteis, sempre das 9h30 às 18h. Na plataforma do Tesouro Nacional é possível acompanhar as taxas e os preços de cada um dos títulos disponíveis; já nos períodos de atividades encerradas, os valores exibidos são apenas uma referência para os investidores.

Um detalhe importante que também deve ser considerado é que, nos dias úteis, das 18h às 5h, o sistema do Tesouro Nacional funciona normalmente para ordens de compra e venda, mas, das 5h às 9h30, a plataforma fica em manutenção e não é possível realizar nenhuma negociação.

Títulos privados

Os títulos privados, ou seja, certificados de depósito bancário (CDBs), letras de crédito — imobiliário (LCIs) e do agronegócio (LCAs) —, debêntures, letras de câmbio e muitos outros, também possui horários específicos para negociação.

Os títulos do mercado primário, isto é, a primeira compra de determinado aplicação, podem ser negociados até as 14h30 nos dias úteis. Para o mercado secundário, o horário limite passa a ser 16h30, também em dias úteis. A mesma lógica utilizada nos fundos e no Tesouro, vale aqui: negociações feitas fora do horário sério contabilizadas no dia útil seguinte.