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Antártica receberá primeiro cabo de internet de fibra ótica

Pode parecer um pouco estranho, mas sabia que ainda existem regiões do Planeta Terra que ainda não possuem acesso à internet de fibra ótica? Este tipo de conexão pode ser útil em diversas partes de nosso globo. Mas falando especificamente da Antártica, os pesquisadores conseguiriam se conectar com mais qualidade com o restante de especialistas de todo o mundo. Até hoje, quem trabalha nas estações de pesquisa no continente ainda não conta com uma internet de alta velocidade, atrasando a conclusão dos trabalhos desenvolvidos.

Os especialistas que trabalham diariamente na Antártica realizando pesquisas que podem impactar nas mudanças climáticas já possuem um projeto para que o primeiro cabo de internet de fibra ótica seja instalado nesta região. Apesar de tudo, ainda existem pessoas que possuem um certo receio. Entenda os detalhes deste feito inédito agora mesmo.

Internet de alta velocidade pode ajudar pesquisadores da Antártica

Você sabia que a internet disponível no Espaço Sideral é mais rápida do que a está disponível na Antártica? Como o principal ponto de estudo dos EUA nesta região da Terra, a estação McMurdo ainda não disponibiliza uma boa internet de alta conexão para os pesquisadores.

Estando sobre uma rocha vulcânica, o local não possui moradores fixos, mas entre junho e agosto (verão nos EUA), cerca de 1.000 pessoas comparecem à estação McMurdo para entender mais sobre o clima e até mesmo a ciência oceânica.

Estação mcmurdo na antártica que ainda não possui internet de fibra ótica
Local frequentado por diversos especialistas ainda não disponibiliza internet de qualidade
Foto: WikiPedia

O grande problema é que para os arquivos sejam enviados para outros locais ou até mesmo todos os especialistas tenham acesso à informação necessária para concluir os estudos, a conexão não é a das melhores. Dessa forma, tudo o que precisa ser entregue acaba levando mais tempo do que o normal. Com uma internet de fibra ótica, ficará mais fácil enviar e receber arquivos de qualquer parte do mundo. E outros ganhos, como Internet das Coisas (IoT), por exemplo.

Para entender a dificuldade de uma boa conexão, basta você olhar para a realidade de muitos brasileiros. Apesar de todos os avanços, muitas cidades ainda não possuem acesso às redes 4G, que está mais do que presentes em todas as capitais de nosso país. Se você é uma dessas pessoas, com toda certeza já percebeu o ganho de produtividade que uma boa internet pode proporcionar. O mesmo vale para as pessoas que passam um tempo na Antártica.

Estação McMurdo ainda utiliza internet mais antiga

Como uma das maiores economias existentes, ao lado de países como China e Rússia, chega a ser estranho pensar que uma estação de pesquisa dos EUA ainda não disponibiliza uma internet de qualidade para os pesquisadores, certo? Mas essa é a verdade, onde na Antártica, mais especificamente no local onde os especialistas fazem todos os estudos, a velocidade da internet é um desafio.

“Isso mudaria a experiência fundamental de viver na Antártica.”

Peter Neff, glaciologista e professor assistente de pesquisa da Universidade de Minnesota

Para se ter uma ideia do quão antigo é o tipo de internet que está disponível neste local, os especialistas de tecnologia da informação citaram que uma casa em áreas rurais possuem a mesma velocidade de internet. Hoje em dia, estação McMurdo até possui satélites para oferecer conexões, mas estes são de baixa largura de banda. E isso vai mudar em breve.

Estudos de internet de fibra ótica já foram realizados

Apesar de estarmos noticiando apenas agora que a Antártica está prestes a receber uma internet de fibra ótica, esta é uma vontade que apenas vem sendo adiada. Com outras prioridades sendo passadas na frente, somente agora o projeto sairá do papel. Em julho deste ano, foi realizado um workshop de três dias para saber quais seriam os possíveis custos, benefícios e desafios de disponibilizar uma internet de fibra ótica para os pesquisadores.

Estação de mcmurdo durante a noite
Estudos para instalação de cabo de internet de fibra ótica já foram concluídos
Foto: Public Domain Pictures

O relatório que foi criado a partir deste workshop foi entregue em outubro. Peter Neff, que está encabeçando a ideia da instalação de um cabo de fibra ótica que iria da Antártica à Nova Zelândia (ou Austrália), também participou deste grande estudo que tem tudo para alavancar as pesquisas realizadas na estação McMurdo. Porém, tal conceito vem sendo trabalhado pelo mesmo há mais de 10 anos.

Cientistas possuem receios

Apesar de uma internet de fibra ótica na Antártica realmente trazer benefícios para todos que frequentam o local, isso também pode mudar toda uma comunidade. Todos os pesquisadores acabam se ajudando e com as portas de todo o mundo abertas devido a uma boa conexão, muitos possuem certo receio em como isso deve impactar a forma como trabalham hoje.

“Outra conversa importante é como isso mudaria a maneira como a comunidade funciona.”

Peter Neff, glaciologista e professor assistente de pesquisa da Universidade de Minnesota

É como se a união que hoje está bastante presente na estação McMurdo não fosse uma das características dos frequentadores. O foco em projetos também é uma das problemáticas que chegarão com a internet de fibra ótica, mas ao mesmo tempo, os benefícios irão mudar a forma como tudo funciona no local.

Quais os próximos passos?

Com os devidos estudos e dados sobre a instalação do primeiro cabo de fibra ótica na Antártica, agora depende apenas da Agência Nacional da Ciência dos EUA em dar a carta branca para que isso siga em frente ou não. Será necessário realizar um grande estudo de infraestrutura para saber como o projeto seria tirado do papel e a ajuda do Departamento de Defesa dos EUA também será solicitada.

“Melhorar as comunicações removerá alguns fardos, tornará muito mais fácil para [as pessoas] serem implantadas em campo e estenderá a experiência para as pessoas que não puderam implantar. Estamos vendo isso como uma oportunidade transformadora.”

Patrick Smith, gerente de desenvolvimento de tecnologia da Agência Nacional de Ciência dos EUA

Além de saber do verdadeiro custo para que a internet de fibra ótica seja disponibilizada no local, também será necessário realizar o estudo da rota e claro, desenvolver um cronograma para que aos poucos, os pesquisadores que frequentam a estação McMurdo tenham uma maior produtividade e qualidade de vida.

E você, possui internet de fibra ótica em casa? Diga pra gente nos comentários!

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O 5G estará disponível em todas as capitais brasileiras até julho do ano que vem. Veja todos os detalhes sobre como as operadoras irão trabalhar com esta nova conexão:

Fontes: The Verge e Scientific American